Peregrinar é sair da rotina de cada dia para se pôr a caminho rumo às fontes do sagrado e de uma libertação interior. A história do povo de Deus, no Antigo e Novo Testamento, está fortemente marcada pela peregrinação. Assim fez Abraão, deixando a sua terra para peregrinar para a terra de Canaan; o povo de Deus saiu do Egipto e tornou-se um povo nómada, para encontrar Deus na Terra da Promessa. O próprio Jesus se fez peregrino para revelar aos homens o caminho que leva ao Pai. Na sua senda enfileiram-se os Apóstolos e todos os Discípulos; São Paulo e todos os "missionários" da Palavra de Deus; o Papa Bento XVI, que frequentemente se põe a caminho para confirmar na fé os seus irmãos; os sacerdotes, agentes da Pastoral, Catequistas e outros cristãos que organizam grupos de peregrinos para rumarem aos lugares santos da Fé, mosteiros, igrejas e museus de arte religiosa ou para participarem nas manifestações festivas e populares da nossa fé.
O turismo religioso proporciona a muitos cristãos momentos de convivência e catequese. Segundo um guia de Florença, os turistas japoneses, ao visitarem alguns monumentos, igrejas e museus daquela cidade, recebem mais catequese numa semana do que em toda a sua vida no Japão. O VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo reconheceu que «o património histórico-cultural religioso pode e deve estar ao serviço da nova evangelização, principalmente quando fala a linguagem da beleza». O próprio Papa afirmou que estas manifestações artísticas «são autênticos caminhos para Deus, a Beleza suprema; mais ainda, são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. São obras que nascem da fé e exprimem a fé» (Audiência Geral, 31 de agosto de 2011).
Um Sacerdote, que reúna os seus paroquianos e os acompanhe aos lugares da fé, consegue realizar em oito dias uma catequese (de adultos) que o ocuparia durante mais tempo na paróquia para obter o mesmo resultado. A este benefício somam-se ainda a união e amizade conseguidas entre os fiéis e uma vivência e animação de fé que pode dar muitos frutos na vida comunitária.
A Conferência Episcopal Portuguesa determinou, no passado mês de Maio, a criação da Obra Nacional da Pastoral do Turismo. Para que este sector «favoreça todas as partes, não apenas quem vai, mas também quem recebe os vários intervenientes", declarou à FAMÍLIA CRISTÃ o Pe Carlos Godinho, director daquele organismo. Com efeito, «ao visitar os destinos turísticos religiosos, o visitante deveria poder experimentar a "via pulchritudinis" em três âmbitos concretos: a beleza do espaço, a beleza da liturgia e a beleza da caridade e das relações humanas, que se expressa, entre outras coisas, no acolhimento que devemos oferecer-lhe» - foi ponto assente do Congresso atrás referido.


