Sábado, 25 de Outubro de 2014
 
   
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Voluntariado

Um ano em cheio

Sexta-Feira, 02 Dezembro 2011
Celebramos até ao final de 2011 o Ano Europeu do Voluntariado (AEV). No derradeiro mês do ano, que tem uma data especial para lembrar os voluntários (5 de Dezembro), a FAMÍLIA CRISTÃ faz um balanço do que aconteceu e fala sobre os desafios que estão a ser lançados à sociedade civil neste campo, que ainda tem muito espaço para explorar.
A criatividade e a inovação podem sempre ir mais longe no que diz respeito à ajuda às pessoas, ao ambiente, ao planeta. É uma questão de atitude. Individual e colectiva.

Portugal foi um dos países que mais trabalhou no Ano Europeu do Voluntariado. Quem o reconheceu foi a própria Comissão Europeia. Muito trabalho foi feito, embora haja ainda muito para fazer. É esta a perspectiva que pode ajudar a desbravar mais caminho. Para que não se perca o brilho depois da festa.

No nosso país, o voluntariado é cada vez mais considerado um instrumento de coesão social, desenvolvimento e cidadania. Cada voluntário faz a diferença – e Portugal fez (e continua a fazer) a diferença neste Ano Europeu das Actividades de Voluntariado que Promovam uma Cidadania Activa. «Há um enfoque na cidadania e não apenas no bem- fazer. É o fazer o bem e em prol da sociedade. Os nossos deveres de cidadania criaram condições para cada cidadão fazer a diferença», enfatiza Elza Chambel, presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado (CNPV), o organismo que coordena o AEV.

O fio condutor neste ano que está prestes a terminar, e que é transversal aos 27 Estados-membros, é o de chamar a atenção para as pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias, é o mostrar às organizações e ao Estado o valor dos voluntários, para que sejam criadas condições para que estes exerçam a sua actividade.

O programa comum aos 27 consistia na "volta do voluntariado" que durasse uma semana nos países pequenos e de média dimensão e duas nos de grande dimensão. Para todas as voltas havia o mesmo tipo de material e enquadramento. A tal semana em Portugal realizou-se em Fevereiro no Fórum Picoas por onde passaram 6200 pessoas. Mas o trabalho português não se ficou por ali. Fernanda Freitas, presidente do AEV, disse à FAMÍLIA CRISTÃ que as «expectativas estão a ser superadas, porque nós adoptámos uma estratégia diferente dos outros países».

«A estratégia da União Europeia passava por levar uma "volta do voluntariado" apenas às capitais da Europa com um camião gigante – e nós alargámos esse conceito às capitais de distrito», acrescentou.

Houve também três projectos portugueses emblemáticos escolhidos pela Comissão Europeia no quadro do AEV, nomeadamente o "Reintegrar no Voluntariado", "Jantares Comunitários"e "Volunteerbook".

E depois do AEV?

Para o plano de trabalho português foi ainda conseguido um financiamento para a actualização do estudo sobre a caracterização do voluntariado. Até ao final do ano deverão sair esses dados. O último a ser feito data de 2001, aquando do Ano Internacional do Voluntariado, e referia que havia um milhão e quinhentos mil voluntários, mas no activo estavam quinhentos mil em programas coordenados e geridos por organizações promotoras de voluntariado. Muito voluntariado não foi contabilizado. Espera-se que a actualização dos dados dê um retrato mais fiel da realidade. Aguardam-se também os resultados de outro estudo sobre a eficácia, eficiência e resiliência dos bancos locais de voluntariado. Estes bancos são um interface entre organizações promotoras de voluntariado e os candidatos a voluntários. Há cem bancos locais já a funcionar em todo o país e cerca de cinquenta em processo de implementação.

Ao longo deste ano, choveram vários convites internacionais para que Portugal mostrasse e divulgasse a sua experiência neste campo. Mas o que se irá passar depois da explosão de eventos ligados ao voluntariado? Quais os objectivos para lá da festa? «Tivemos muitas voltas em todo o país, uma série de prémios ligados ao voluntariado – vamos ter [agora], acima de tudo, uma preocupação governamental em alterar a lei», responde Fernanda Freitas.

«Que não seja apenas a celebração mas também a consagração legal de alguns aspectos que não estavam vistos, nomeadamente a eventualidade de se descer a idade legal do voluntariado para 16 anos e consagrar o voluntariado empresarial», sugere a jornalista.

O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, já garantiu que a lei do voluntariado será revista e que terá realce no papel dos jovens. O Governo pretende também que a Administração Pública seja contagiada pelo voluntariado, «para ter exemplos de responsabilidade social e de acções voluntárias».

Conceição Zagalo, presidente do Grace – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, salienta que o primeiro passo já foi dado. «O Governo não precisa de reinventar a roda. Precisa de se inspirar naquilo que os movimentos empresariais já construíram, e, de uma forma ou de outra, adoptar o modelo de gestão empresarial no que toca à implementação de projectos de responsabilidade social, nomeadamente os que passam pelo voluntariado», afirma esta responsável.

«A sociedade civil», prossegue, «está ansiosa que o Governo bata à porta das empresas e diga: "Venham cá, partilhem connosco a vossa experiência e ajudem-nos a tirar pedras do caminho e, de forma conjunta, levemos por diante a implementação de projectos e de iniciativas." Ao Governo falta desenvolver parcerias concretas com a sociedade civil, de forma a que este movimento que hoje é empresarial se torne um movimento social.»

O valor económico do voluntariado em Portugal anda muito próximo de um por cento do PIB (Produto Interno Bruto). Para a presidente do CNPV, o voluntariado tem de ser «extremamente bem feito» como qualquer actividade profissional – só que é gratuito.

Portugueses não gostam do compromisso

Os portugueses são «óptimas pessoas, mas não gostam de se comprometer», constata Elza Chambel. Sem papas na língua, acrescenta: «Há quem diga que é "voluntário quando quer" – não pode ser. Ser voluntário não é cumprir nos dias de Sol e não cumprir nos dias de chuva. É, de grosso modo, o que acontece no voluntariado.»

O CNPV tem como missão promover, qualificar e organizar o voluntariado. Chambel defende a importância de as entrevistas serem feitas com rigor pelas organizações, «para o candidato perceber logo ali se tem condições para fazer o casamento». E frisa a necessidade de cada um «adaptar a sua apetência com a sua competência e disponibilidade».

Neste AEV é provável que haja mais gente a querer ser voluntária. Será que se trata apenas da emoção do momento? «Há aqueles que começam com grande emoção e dizem que querem fazer voluntariado todos os dias. Isso não é verdade. Definam o dia e as horas. Se é das 9h00 até ao 12h00 não pode ser das 9h05 até às 11h45. Tem de haver pragmatismo. Cada qual só deve comprometer-se com aquilo que é capaz de cumprir», realça Chambel.

As motivações de cada um para dar o seu tempo em prol dos outros podem ser muito diferentes, mas para Fernanda Freitas o que importa é «o produto final» e salienta que «em todas as áreas devia haver mais voluntariado», porque não podemos esperar que tudo seja feito pelo Estado.

A presidente do AEV conta que o que mais a impressionou pela negativa neste ano «foi ver tanta gente a acreditar que não tem tempo». Um dos aspectos positivos a salientar é o trabalho voluntário da juventude: «Agrada-me imenso ver cada vez mais as escolas desenvolverem projectos para ajudar os jovens mais vulneráveis dentro da escola ou a comunidade idosa ali à volta.»
Muitos outros desafios serão superados no futuro. Elza Chambel confessa que não gostaria que, depois do dia 31 de Dezembro, «se fechasse a porta». Optimista por natureza, diz que acredita que o nosso país não vai perder o «brilho da festa» deste ano, porque também sentiu o pulsar dos jovens.

Conceição Zagalo, confiante, diz que «para trás anda o caracol e nós não somos caracóis».

«O AEV veio confirmar o princípio de que o trabalho do menino é pouco e quem o desperdiça é louco. Fizemos tanto trabalho este ano que para o ano só podemos utilizá-lo de forma inteligente e aplicá-lo como sopa no mel no Ano do Envelhecimento Activo», conclui.

Sílvia Júlio
Publicado em Sociedade

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