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Empreendedorismo Social

«É preciso criar novos negócios»

Segunda-Feira, 30 Julho 2012
Diferente do empreendedorismo tradicional é o empreendedorismo social. Aqui a tónica é a resposta às necessidades da comunidade com outras nuances. Cláudia Moura, professora universitária e coordenadora científica de vários cursos de Empreendedorismo Social, ajuda-nos a entender melhor o conceito. E ressalva que este tipo de empreendedorismo «pode ser visto como uma forma de contornar o desemprego, valorizando a economia do conhecimento».

 

FAMÍLIA CRISTÃ (FC) – Para as pessoas que estejam desempregadas ou para aquelas que estejam empregadas e querem concretizar o sonho de terem o seu negócio, o que devem fazer?
Cláudia Moura (C.M.) –
Efetivamente, o flagelo social "desemprego" não pode ser ignorado, e o empreendedorismo social pode representar uma ferramenta crucial no inverter deste panorama, valorizando o concretizar do sonho de ter um negócio.
Para tanto, é necessário acreditar nos sonhos e lutar pelas suas realizações. E neste sentido é fundamental utilizar algumas ferramentas, nomeadamente a determinação, criatividade, proatividade e a capacidade de desenvolver parcerias e mobilizar pessoas em torno de um propósito comum. No entanto, mais do que procurar os próprios sonhos, o empreendedor social deve ter a capacidade de entender os sonhos dos clientes para assim responder às necessidades da comunidade.
O empreendedor social não tem apenas sonhos, mas antes a preocupação iminente em os preservar. Ser empreendedor social é muito mais do que o ato simples de criar o seu negócio. É sobretudo saber escolher as diretrizes de atuação.

FC – Que oportunidades há em tempo de crise? Quais as necessidades do mercado?
C.M. –
Numa crise emergem sempre oportunidades. Em tempos de crise é quando geralmente surgem as melhores oportunidades de negócio. A chave reside em saber identificar essas oportunidades e transformá-las em oportunidades de emprego.
As dificuldades que o país enfrenta atualmente a todos os níveis, podem representar um convite ao empreendedorismo social. É necessário criar uma nova atitude face ao cenário. Sendo que o empreendedorismo social não pode ser encarado como uma resposta imediata ao desemprego, contudo é preciso criar novos negócios, novos projetos que criem novos empregos, com responsabilidade social. Assim, o empreendedorismo social pode ser visto como uma forma de contornar o desemprego, valorizando a economia do conhecimento. Para tal, um plano de negócios sólido e credível é o ponto de partida para qualquer projeto. Relativamente às necessidades do mercado são imensas, sendo a primeira tornar o serviço prestado num agente de excelência. De seguida perceber se a área geográfica necessita do serviço. A aquisição de um negócio num momento de crise exige um perfil arrojado.

FC – Qual o perfil do empreendedor social?
C.M. –
O perfil assenta essencialmente na necessidade de conhecer o ramo de atuação e procurar sempre novas informações e conhecimento, ter a capacidade de liderar e motivar, correr riscos calculados, ser otimista, organizado e criativo, garantir o compromisso e a determinação, ser persistente, independente e autoconfiante, estabelecer metas, procurar oportunidades e planear.
Devo ressaltar que nem sempre o indivíduo reúne todas as características que marcam o perfil de um empreendedor social.


FC – Como se pode desenvolver o empreendedorismo em Portugal?
C.M. –
As motivações que levam os portugueses a criar empresas ou projetos são essencialmente: ter autonomia para o desenvolvimento do seu trabalho. Por isso e para desenvolver um empreendedorismo social de excelência é crucial partir do ponto primeiro, "um bom produto um bom serviço".

FC – O que é preciso fazer para que o ensino do empreendedorismo social se torne mais eficiente?
C.M. –
Para que o ensino do empreendedorismo social se torne mais eficiente, é preciso adotar metodologias próprias, diferentes das adotadas para o ensino convencional. Nesses termos, é necessária uma abordagem fundamentada no "aprender a criar". Por isso, os professores precisam de se reconfigurar, tornando-se muito mais num incentivador e condutor de atividades do que em alguém que dita comportamentos padrões. É necessário, "que o professor seja empreendedor".

FC – Quais as funções do empreendedor? O que tem de fazer para levar por diante o seu projeto?
C.M. –
Podemos identificar quatro funções: Produzir, Administrar, Empreender e Integrar. No que respeita a levar por diante o seu projeto, é crucial conhecer o campo de atuação. Várias são as pessoas que começam a empreender os seus projetos sem a mínima noção e acabam por erros básicos de administração, e até mesmo erros de diretrizes e condutas incoerentes, não conduzindo os negócios até ao seu final.

FC – O que leva a que uma pessoa com uma boa ideia não a concretize?
C.M. –
A justificação para não fazer, fazer pouco ou fazer mal é a falta de dinheiro. O empreendedorismo social tem tudo a ver com isto. Até porque se trata de uma filosofia de intervenção social, de valorização da iniciativa, do risco, do investimento com retorno social, de exigência de sustentabilidade, de avaliação do impacto, de diversificação dos mecanismos de financiamento.

FC – Quais as dificuldades que um empreendedor terá de enfrentar?
C.M. –
Essencialmente muito trabalho. A construção de um negócio de excelência exige trabalho árduo e muita disciplina.

Sílvia Júlio
Publicado em Sociedade

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