Sábado, 29 de Novembro de 2014
 
   
Texto

Da ideia à concretização

Apoio aos empreendedores

Segunda-Feira, 30 Julho 2012

Ter uma boa ideia não chega. É preciso pô-la em prática. Há muita gente que aproveita as férias para desenvolver a sua própria ideia de negócio e concretizar o seu sonho. Poderá ver ali um complemento da atividade profissional ou até mesmo uma ocupação a tempo inteiro. Dizem os entendidos que, em período de crise, é quando surgem as grandes oportunidades. A FAMÍLIA CRISTÃ foi saber quem são os Business Angels – Anjos do Negócio – que podem ajudar os empreendedores a voar mais alto.


As férias são, para além do descanso e da diversão, um período de balanços e projetos. Olha-se para o passado e presente e delineia-se um plano para o futuro. Há cada vez mais pessoas que chegam às férias com vontade de arregaçar as mangas e criar um negócio. De empreender por conta própria. Quantas vezes já não repetiu para si próprio: O que faço já não me satisfaz, quero pôr as minhas ideias em prática, mas não sei qual o passo seguinte para as concretizar?

Se sente que está na hora de se lançar num projeto seu, então poderá valer a pena conhecer o conceito anglo-saxónico de Business Angels ou Anjos do Negócio, na tradução portuguesa. Os ingleses e os americanos conhecem bem esse conceito. Na Europa, foi sobretudo a partir dos anos 90 do século passado que se começou a falar de Business Angels. Em Portugal, o conceito ainda é desconhecido para muita gente.

Há meia dúzia de anos foi criada no nosso país a Associação Portuguesa Business Angels (APBA). E o que fazem estes "Anjos do Negócio"? «Ajudam os empreendedores que tenham uma ideia de negócio a lançarem o seu próprio negócio, dando-lhes algum apoio financeiro e apoio na gestão», responde Gonçalo Moreira Rato, secretário-geral da Associação Portuguesa Business Angels (APBA).

«Muitas pessoas não estão familiarizadas com as questões formais: como se gere uma empresa, quais os objetivos necessários para ter o próprio negócio, como se faz um business plan, a que entidades devem apresentar o negócio... Os Business Angels têm o papel de apoiar as iniciativas emergentes», acrescenta aquele responsável da APBA.

A APBA tem vários protocolos com universidades e centros tecnológicos, de onde vem grande parte dos jovens que pretendem lançar o seu negócio. Mas este serviço não se destina apenas a gente nova em idade. «Aparecem também pessoas reformadas, desempregadas ou empregadas que querem complementar a atividade profissional com o sonho de uma vida de lançar o seu próprio negócio», observa. Porém, há uma condição fundamental para qualquer empreendedor que se preze: «Ser jovem de espírito.»

Falta perspetiva empreendedora

Gonçalo Moreira Rato considera que em Portugal há poucas iniciativas empresariais – e isso relaciona-se com a educação. O secretário-geral da APBA realça a importância de se dar aos mais novos, desde tenra idade, uma perspetiva empreendedora. «Isto é um percurso que tem de ser feito logo a partir da escola primária. Tem de se começar a cativar os jovens para esta ideia do risco e que o falhar não tem de ser um estigma. Em Portugal, havia o estigma do falhado, caso alguém tivesse lançado um negócio que não correu bem. Era uma nódoa no currículo que já não conseguia tirar.» A mentalidade começa a mudar «aos poucos», nota.

«Aposta-se pouco no risco, na possibilidade de as pessoas criarem o seu próprio negócio. Viveu-se com a ideia de se arranjar um emprego por conta de outrem e, se possível, no Estado. Chegámos onde chegámos por força dessa situação», prossegue.

Em altura de crise, muitas são as vozes que se levantam para dizer que esta não é a altura de arriscar, de empreender. Gonçalo Moreira Rato defende o contrário: «Regra geral, em tempo de crise surgem os grandes empreendedores, os grandes projetos, as grandes inovações. Porque está tudo posto em causa, não há tanta estabilidade e as pessoas são mais atreitas a correr o risco.» Mais: «A crise pode ser uma boa solução para se criarem novas empresas inovadoras e empreendedoras. As novas ideias podem ser o motor de desenvolvimento do país, se se souber aproveitar...»

As generalizações são perigosas, mas ousamos perguntar: Os portugueses não têm tido boas ideias? «Não nos faltam ideias, não sabemos é tornar as boas ideias em bons negócios – esse é o problema. Vamos aos concursos de invenções e os portugueses aparecem sempre com os primeiros prémios e menções honrosas. O que falta – e também nas universidades – é passarmos da boa ideia ao negócio em si», nota.

Paixão é meio caminho andado

Para os portugueses que não estão interessados em ficar apenas no mundo etéreo das ideias e querem passar ao mundo real, o que têm a fazer? «Estruturar a ideia num documento, ter atenção ao mercado alvo, saber se tem concorrentes na área, fazer um plano de negócios com uma projeção de quatro a cinco anos e tratar da proteção dos Direitos de Propriedade Intelectual e Industrial, seja como marca ou patente. Quando se vai apresentar a um investidor, é importante ter estes pontos salvaguardados.»

Gonçalo Moreira Rato diz que os Anjos do Negócio «dão sugestões aos empreendedores sobre o que hão de fazer e as entidades que devem contactar». Os associados da APDA, cerca de 140, são empresários de todas as idades «que gostam de criar para Portugal uma economia mais dinâmica, inovadora e estão disponíveis para apostar em boas ideias», diz.

Quando se fala em negócios, ninguém quer perder. Quais as contrapartidas deste "serviço angelical"? É um serviço pago ou gratuito? «Todas as modalidades são possíveis: gratuito ou pago. O que acontece na maior parte dos casos é um business angel que investe num determinado projeto ficar com uma quota-parte na sociedade, sempre em minoria. A regra é ter uma participação entre 10 a 20 % no capital social. A ideia do business angel é manter-se no negócio cerca de dois a três anos. Depois, se o negócio estiver a correr bem vende a participação a um capital de risco ou outro investidor com outro músculo financeiro. Se não correr bem... é o risco normal do negócio.»

À APBA chegam 100 projetos por ano. Estes Anjos do Negócio apenas investem em 5% desses projetos. «Temos ajudado empreendedores a lançarem os seus negócios em várias áreas: restauração, vestuário, saúde e novas tecnologias. Quando uma ideia é bem trabalhada pode ser um excelente negócio.»

Aos futuros empreendedores, Gonçalo Moreira Rato diz: «Não tenham medo de arriscar, preparem muito bem o dossiê de negócio e tenham paixão por aquilo que fazem. Paixão é meio caminho andado.»

As dificuldades que se vão encontrar pelo caminho são muitas. A perseverança vai ser necessária em grandes doses. Nem todos têm o perfil certo para arriscar. Por isso, o secretário-geral da APBA, apesar de ser a favor do risco, fala «num certo grau de segurança». «Não atirem tudo para o ar quando arriscam.» Em algumas circunstâncias resulta, noutras não.

Sílvia Júlio
Publicado em Sociedade

Capa





Edição de Novembro/2014

bt_2

Calendário

Novembro 2014 Dezembro 2014
Se Te Qu Qu Se Do
1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30

Newsletter

Subscreva a nossa newsletter

Administração