Quarta-Feira, 26 de Novembro de 2014
 
   
Texto
     +++     Papa quer uma Europa com novo vigor      +++     Uma Europa que gira em torno da pessoa      +++     Governo lança nova campanha      +++     "Família e transmissão da fé"      +++     «Encaramos a morte todos os dias»      +++     Líbano: Cristãos lutam para sobreviver      +++     «Gosto de ser diferente»      +++     Papa discursou na FAO      +++     Encontro sobre cultura atual na família      +++     748 milhões sem acesso a água potável      +++    

Quaresma

Pecado e conversão

Terça-Feira, 15 Março 2011
Dos vários aspectos que neste tempo litúrgico poderiam ser abordados, escolhemos falar de um que parece ser cada vez mais desagradável de mencionar: o pecado – razão da nossa necessidade de reconciliação com Deus e com os outros. Como se pode falar da quaresma, da ressurreição e da salvação se não reconhecermos que somos pecadores?

Para as crianças e jovens, a palavra pecado é muitas vezes olhada como um objecto estranho da antiguidade. Existe a tendência para esquecer o relevo central do pecado. Isso deve ser evitada se queremos que haja uma verdadeira compreensão da missão de Jesus.

Jesus veio ao mundo para nos salvar. Mas salvar de quê? Dos nossos pecados, da morte. Se ignorarmos a nossa realidade pecadora, finita, limitada, Jesus torna-se num invulgar "iluminado" e não nos contagia nem a sua divindade, nem a sua ressurreição...

O que é, então, o pecado? A palavra pecado, provém do latim e significa: falhar o alvo. Um bom arqueiro sabe fazer boa pontaria. Se falha o alvo, ainda que tenha dado o melhor de si, quer queira quer não, ou se enganou ou errou. Dizemos então que ele agiu mal, que devia ter feito bem.

São Paulo escreve na carta aos romanos: «É que o bem que eu quero, não o faço; e o mal que não quero, isso é que eu faço.» (Rm 7,19) O apóstolo percebeu que nós somos humanos, somos imperfeitos e ainda que não desejemos falhar ou pecar, acabamos por fazê-lo. O bem de que Paulo fala encontramo-lo quando agimos no amor, quando estamos em sintonia (comunhão) com Deus, «porque Deus é amor» (1Jo 4,8).

Jesus veio para perdoar

É muito difícil não pecar. Só Jesus e Maria, Sua Mãe, não pecaram. Isto significa que até os santos pecaram! Todavia, como Peter Kreeft, filósofo e teólogo americano, nos diz: «Santo não é oposto de pecador (...) há apenas pecadores que são salvos e pecadores que não são salvos.» Então, quem é santo? «Acima de tudo, aquele que sabe que é um pecador.» E este é, portanto, o primeiro passo para a transformação da nossa vida, para uma autêntica conversão.

O evangelho de Lucas conta a história de um homem de baixa estatura que vivia em Jericó. Ele era o responsável por cobrar os impostos daquela região. Recolhia o dinheiro das pessoas e dava o correspondente aos que governavam aquela terra, os romanos. Mas este homem, às vezes, em vez de pedir o dinheiro exacto dos impostos para os romanos, pedia sempre muito mais para conseguir ficar com dinheiro para si. Rapidamente as pessoas perceberam que ele estava a enriquecer às suas custas. E com o passar tempo, tornou-se um homem muito detestado pela população, mas riquíssimo.

O homem chamava-se Zaqueu e é através da sua história que vemos qual é rosto de Deus para os pecadores, para nós. Zaqueu queria ver Jesus, como toda a multidão, mas como era pequeno teve de subir a uma árvore. Quando Jesus o viu, pediu-lhe para ir até sua casa. Curiosamente, todas as pessoas ali à volta, sabendo que Zaqueu era um autêntico corrupto, ficaram atónitos com a vontade do seu Mestre Jesus querer ir jantar a casa daquele ladrão. Como podia Jesus conviver com um pecador daqueles!?

Jesus não veio para condenar, veio para salvar. Ele perdoa, e pelo seu perdão, dá-se uma mudança de vida para o que é perdoado. Zaqueu depois de ter estado à mesa com Jesus, não só deu metade do que tinha aos pobres, como devolveu o que roubou multiplicado por quatro!

A quaresma são 40 dias de preparação para uma autêntica mudança. São 40 dias de caminhada no deserto, 40 dias para olharmos bem para dentro de nós e nos confrontarmos com os nossos pensamentos, palavras, actos e omissões e vendo neles onde e porquê, estamos a falhar o alvo.

Para fazer boa pontaria, olhemos para a nossa vida e vejamos onde é que a presença de Jesus está ausente, ou seja, onde é que o amor está ausente?

Paulo Paiva
Publicado em Igreja
Etiquetado como

Capa





Edição de Novembro/2014

bt_2

Calendário

Novembro 2014 Dezembro 2014
Se Te Qu Qu Se Do
1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30

Newsletter

Subscreva a nossa newsletter

Administração