Sábado, 01 de Novembro de 2014
 
   
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2011

Semana da Oração pela Unidade

Terça-Feira, 18 Janeiro 2011
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos tornou-se numa das instituições mais significativas do movimento ecuménico. Iniciada há mais de cem anos, tem sido realizada ininterruptamente entre 18 e 25 de Janeiro de cada ano.

Em muitos locais é, sem dúvida, oportunidade para algumas das principais actividades ecuménicas, ao longo do ano. O cerne dessa semana é claramente a celebração ecuménica, que pode ser estendida ao longo dos oito dias. Mas essa celebração serve de oportunidade para muitas outras iniciativas de aproximação entre as comunidades cristãs.

Cada ano, há um grupo ecuménico, juntando os cristãos de várias tradições que habitam uma região determinada, que prepara a celebração, originando um guião que depois é traduzido para praticamente todas as línguas e divulgado, sob responsabilidade do Conselho Mundial das Igrejas e do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica Romana). É com base nesse guião que se realizam as iniciativas ecuménicas dessa semana, um pouco por todo o mundo.

Este ano, o grupo de preparação foi constituído por cristãos de Jerusalém. Em primeiro lugar porque essa cidade é altamente significativa para o início do Cristianismo. Assim sendo, este «regresso» a Jerusalém significa uma espécie de refontalização dos cristãos, na recuperação dos elementos fundamentais da sua união, muito antes de a História os ter conduzido a divisões diversas.

Em segundo lugar, porque Jerusalém é uma cidade a gritar por paz e por possibilidade de convivência. Aí, não se trata apenas de convivência entre cristãos de várias tradições, mas de convivência entre oriundos de diversas religiões e de diversas etnias e culturas.

Um vasto significado

O ecumenismo assume, assim, um significado mais vasto, manifestando a sua importância para uma humanidade que procura a paz e que tem encontrado, sobretudo e paradoxalmente em Jerusalém, o contrário daquilo que procura. Ou seja, os cristãos de Jerusalém propõem uma mensagem de fonte aos cristãos de todo o mundo e esperam, da parte destes, a solidariedade na oração, para que as condições de existência na Terra Santa se possam alterar.

Foi com base nestas circunstâncias e no significado desta cidade que o grupo de preparação escolheu o texto para a celebração deste ano. Trata-se de um texto dos Actos dos Apóstolos, que descreve, precisamente, a primeira comunidade cristã. Sem idealismos baratos, esse texto aponta-nos, contudo, o elemento essencial da unidade da Igreja nascente: a Eucaristia. Por isso, ACT 2,42 diz-nos que os primeiros cristãos estavam «unidos no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações». Eis, pois, o programa ecuménico por excelência.

Mas a comunidade de Jerusalém – a de ontem e a de hoje – sentindo-se unida nessas dimensões, não recusava a diversidade que a habitava, tão claramente representada na pluralidade do Pentecostes. Nesse sentido, aí se encontra o modelo mais profundo de todo o ecumenismo: a fidelidade apostólica, a fraternidade, a celebração da Eucaristia e a oração, na diversidade dos membros concretos. Porque só com base nesses elementos é que a diversidade desses membros não constitui fonte de desunião, mas possibilidade de convivência entre os diferentes – como diferenciada é hoje a cidade santa.

Se este é o tema central da semana de oração pela unidade dos cristãos, o seu desenvolvimento, ao longo dos oito dias, aponta para elementos que são consequência destes centrais. O primeiro desses elementos é, precisamente, a continuidade da Igreja em relação à primeira geração, dita apostólica. Essa continuidade manifesta que, ontem como hoje, a oração pela unidade não pode ser desligada da oração pela justiça e pela paz, que tão ameaçada se encontra em Jerusalém.

O segundo elemento desenvolve o significado positivo da diversidade dos membros que constituem um só corpo, tal como era a comunidade inicial e tal como é, actualmente, a pequena comunidade cristã em Jerusalém – minoria, como no início, mas fértil em unidade. O terceiro elemento acentua a fidelidade ao ensino que, através dos Apóstolos, nos coloca em contacto com a tradição hebraica, sobretudo dos profetas. A unidade só será possível se a nossa oração pela paz e pela justiça nos tornar conscientes de que só Deus, luz das nações, poderá realizá-las plenamente.

O quarto elemento salienta a comunhão fraterna, a partilha dos bens, sejam eles de que ordem forem. Esse é, sem dúvida, um pressuposto fundamental de todo o ecumenismo. Nesta semana, trata-se sobretudo da partilha de orações e da fraternidade que a oração pode tornar viva. Todos oramos por todos, porque todos necessitamos de todos, para que possamos ser um só.

O quinto elemento concentra-se na Eucaristia, pois é essa a celebração da unidade dos cristãos, a sua «marca» identitária fundamental. E é precisamente essa celebração a que se encontra mais afectada pela divisão. Nesse sentido, a oração ecuménica é, antes de tudo, a oração para que seja possível voltar a celebrar juntamente com todos os irmãos.

O sexto elemento recorda-nos a força da oração, em estreita união com uma pragmática condizente. Uma dimensão sem a outra torna todo o empenho ecuménico fútil. O sétimo elemento concentra-se no fundamento de tudo: a ressurreição de Jesus. De facto, tudo seria vão se Ele não tivesse ressuscitado. Mas isso é precisamente o que constitui o núcleo fundamental da fé comum a todos os cristãos.

Por último, o oitavo elemento desta semana coloca-nos perante a tarefa da reconciliação, tão árdua em Jerusalém como no resto do mundo. Mas, sem a coragem da dedicação a essa tarefa, não caminharemos para a nossa verdade, que é precisamente a de humanos reconciliados em Deus e com Deus, por Cristo e no Espírito.

De 18 a 25 de Janeiro, somos, portanto, convocados a abandonar a comodidade da nossa vida instalada e das nossas convicções estáveis, para irmos ao encontro do cristão diferente de nós e, com ele, orarmos e invocarmos aquilo que verdadeiramente nos une. Nesse movimento de saída, encontraremos, certamente, também os humanos que, mesmo não sendo cristãos, partilham a mesma condição e poderão, pela nossa oração, acolher a dádiva da paz e da justiça que Deus a todos oferece.

João Duque
Publicado em Igreja
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