Quinta-Feira, 02 de Outubro de 2014
 
   
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Diocese de Madrid autorizou

No Prado novo celebrou-se Missa

Terça-Feira, 05 Junho 2012
Mais de trinta anos após as aparições da Virgem a Luz Amparo Cuevas, a vidente do Escorial, o cardeal de Madrid, D. Antonio Rouco Varela, autorizou a que fosse construída uma capela no Prado Novo e que se passasse a celebrar Eucaristia no local. Mais de cinco mil pessoas estiveram na primeira missa, e o ambiente foi de autêntica festa mariana.

 

Eram cerca das 4 da manhã quando o autocarro arrancou do Tagus Park, em Oeiras. Feitas as orações iniciais, todos dormiram até que nasceu o dia. Após a primeira paragem, já em Badajoz, o grupo de peregrinos começou a rezar em honra da Virgem do Escorial, a mesma que, 30 anos antes, terá aparecido a Luz Amparo Cuevas em cima de um freixo no Prado Novo. Foram mais de 12 os autocarros organizados que se deslocaram de vários pontos de Portugal para o Prado Novo, no Escorial, perto de Madrid, juntos na intenção de rezar à Virgem, muitos deles sem saberem que iam presenciar um momento único na história do local.

Manuel Nogueira, organizador das peregrinações portuguesas há 17 anos, havia de explicar à FAMÍLIA CRISTÃ mais tarde que tinha sido propositada a pouca divulgação. «Não haveria estrutura para receber todos os peregrinos que se quereriam deslocar lá se isto tivesse sido mais divulgado», contou-nos antes de se dirigir aos peregrinos num dos autocarros e lhes explicar que este era um dia «histórico». «A diocese de Madrid autorizou a que fosse construída uma capela no Prado Novo, como a Virgem tinha pedido a Luz Amparo, e hoje será a primeira missa celebrada lá, no Prado Novo», explicou ao microfone.

Em 2009, a FAMÍLIA CRISTÃ esteve no Prado Novo e trouxe aos seus leitores um retrato da realidade da Obra do Escorial, que estava na altura a passar por uma fase difícil, em virtude de uma série de dúvidas e polémicas levantadas sobre a veracidade das aparições e a boa-fé da vidente e dos membros da Obra. Na altura, foi possível conhecer a Obra por completo, os seus frutos e algumas das muitas conversões que ali tinham acontecido. Foi sobre estes factos que a diocese de Madrid se pronunciou também agora. Em relação ao carácter sobrenatural das aparições do Escorial, ainda «não consta». O termo técnico significa que, não tendo sido confirmado esse carácter, o mesmo não foi descartado ainda, pelo que aguarda uma decisão final, que não deverá acontecer nos próximos tempos, uma vez que até há bem pouco tempo a vidente ainda recebia bênçãos da Virgem, segundo a própria, que transmitia aos peregrinos no primeiro sábado do mês, quando se deslocavam ao Prado Novo. Estas bênçãos, no entanto, parecem estar a terminar, e essa foi a primeira notícia que os peregrinos receberam ao chegar ao Prado Novo.

«Este mês [maio] não haverá bênção da Virgem, tal como não houve no mês passado», foi a mensagem passada pelos vários autocarros. Ninguém sabe os motivos, mas a saúde da própria vidente pode ser um motivo. «Luz Amparo está muito doente, e mal consegue falar, portanto não sabemos se as bênçãos estão a terminar, se é a própria Luz Amparo que não as consegue transmitir», refere-nos Pedro Besari, um dos responsáveis da Obra.

Frutos da Obra

No local onde seria celebrada Eucaristia, tudo se encontrava já preparado, com a montagem de uma tenda que servirá de capela até que a capela provisória possa ser construída no local marcado por Luz Amparo há anos atrás, num dos seus momentos místicos, em que caminhou na neve a apontar o local onde a Virgem lhe indicava que deveria ser construída a capela.

A Eucaristia começou por volta das quatro da tarde, presidida pelo Pe. Sérgio, um dos sacerdotes da Obra. D. José Arranches, o primeiro capelão do Escorial, fez uma homilia emocionada. «Quero agradecer a Deus, que escolheu este local para se manifestar; à Virgem, que apareceu neste prado e derramou bênçãos para todos; a Amparo, que foi leal ao seu sofrimento e à Igreja durante todos estes anos; ao Card. Rouco Varela, que seguiu o processo das aparições, estudou o conteúdo e analisou os frutos; a todos nós, principalmente aos perseverantes que suportaram tudo, desde o clima às perseguições dos outros que nos tomaram por lunáticos. Foi graças a vocês que foi permitido construir esta capela», referiu na homilia.

Um dos acólitos que encabeçava o cortejo inicial era o João Pedro, seminarista do Escorial e português. Há três anos, tinha dado à nossa revista um testemunho de como uma vida boémia se tinha transformado numa vocação de serviço, amor e entrega a Deus. Hoje, foi uma pessoa particularmente feliz que se encaminhou para nós no final da Eucaristia e nos cumprimentou. «Sinto uma alegria imensa, dedicada às pessoas que vêm a este lugar e recebem estas graças. Eu sou um fruto dessas graças, a salvação de Cristo chegou a mim pelas mãos da Sua mãe aqui neste lugar, e eu espero que milhões de pessoas – não digo este número em vão –, se possam vir a aproveitar destas graças para a salvação das suas almas e para levarem tanto bem como é o bem do amor de Cristo ao mundo inteiro», referiu, antes de se despedir e ir ter com a sua família, que o esperava para o cumprimentar.

Este passo da diocese de Madrid tinha sido dado cerca de duas semanas antes. Reconhecendo os frutos da Obra do Escorial, a obediência de Luz Amparo à diocese de Madrid e o facto de as mensagens em nada contrariarem o conteúdo dos evangelhos, surgiu a decisão há muito esperada, segundo nos contou o Pe. Sérgio, que tinha presidido à celebração. «A razão fundamental para esta decisão da diocese foi a obediência que Luz Amparo sempre mostrou à hierarquia da Igreja, quer com o Card. Angel Suquía, quer com o atual cardeal de Madrid, D. Antonio Rouco Varela. Além da obediência, os frutos da Obra também contribuíram muito: muitas conversões, muitas vocações, pessoas afastadas que regressam à Igreja. Isto não se passa em todo o lado, nem é frequente a não ser em locais especiais ou com pessoas especiais», referiu.

«Voltar a pôr Deus como fundamanento e fim»

Quanto ao conteúdo das mensagens, não se encontra em nenhuma uma oposição aos evangelhos ou a Cristo, bem pelo contrário. «A Virgem disse "aqui recebeste a fortaleza para ir ao Templo". No "Prado" recebe-se a graça para voltar à Igreja, este é o caminho para voltar a Cristo: os sacramentos, a confissão, a Eucaristia, e depois a oração, a vida espiritual, é a forma que temos para voltar para o Senhor. Aqui não estamos fora da Igreja. Este é um lugar de conversão para voltar à Igreja, e aqueles que estão dentro da Igreja para fortalecer e afirmar a sua Fé», defendeu o sacerdote.

Mas então, em que consistem as mensagens do Escorial? «A mensagem do Escorial é voltar às raízes do Evangelho, crer em Deus Todo-Poderoso, que se fez Homem através da Virgem Santíssima, que se tornou mãe de Deus e se manifestou aqui no Escorial, para que voltemos ao seu Filho, fundador da Igreja Católica», diz o Pe. Sérgio, que refere que esta mensagem é particularmente importante em virtude dos tempos que vivemos.

«Temos de recordar o Evangelho, para que estes tempos de paganismo e ateísmo que se apoderaram da sociedade e do Homem com as consequências que se conhecem possam acabar, pois não trazem nada de bom às nossas vidas», defende o sacerdote, que espera que as pessoas possam «voltar a pôr Deus como fundamento e fim» das suas vidas.

 

Um dos peregrinos mais antigos do Escorial é o Pe. Messias Dias Coelho, que foi testemunha viva dos primeiros tempos do Escorial e dos momentos místicos de Luz Amparo. O Pe. Messias converteu-se ao Escorial também por causa dos seus frutos. «Quando eu vim cá, fiquei muito mal impressionado, cheguei mesmo a duvidar e pôr completamente de parte a ideia sobrenatural destas aparições, porque eu vi a vidente em êxtase e a falar, e impressionou-me muito mal», relembra o sacerdote, hoje com mais de 90 anos. «Depois, vi os frutos que aconteceram. Conheci muita gente que não tinha vida cristã ou que ia à missa apenas quando tinha um casamento ou um funeral, e passaram a ir à missa diariamente, a comungar diariamente, uma mudança de vida completa», defendeu o sacerdote, que se emocionou ao relatar casos de milagres que conhece de pessoas que regressaram do Escorial «curadas».

Aliás, o poder da cura da fonte de água que corre ao lado do freixo onde Luz Amparo afirma que viu a Virgem foi também referido pelo Pe. José Maria, um dos capelães da Obra que, no domingo, esteve na primeira missa dos portugueses no Prado Novo. «Agora que a capela vai ser construída no Prado Novo, aquela água milagrosa vai começar a curar», prometeu o sacerdote.

Tentar preservar a espiritualidade

Pedro Besari não teme que o aumento do número de peregrinos possa colocar em causa as características do Prado Novo enquanto local de recolhimento e oração. «É possível que o aumento de peregrinos possa prejudicar a intimidade com Deus ou a proximidade com a natureza da forma como existe hoje. Mas a quinta que temos é muito grande, pelo que à medida que o número de peregrinos aumente iremos aumentar a superfície dedicada à oração, tentando preservar esta espiritualidade em ambiente natural», afirma Pedro Besari.

O tempo dirá se o Escorial consegue manter este ambiente rural e de oração na natureza, com os sacerdotes a confessarem debaixo de árvores os muitos peregrinos que procuram a Reconciliação. No entanto, o que parece certo é o crescimento de um novo santuário mariano, que agora, com a autorização da construção da capela, deverá conhecer um novo pico de peregrinações, conforme pediu a Virgem a Luz Amparo. «Sou a Virgem Dolorosa. Quero que se construa neste lugar uma capela em honra do Meu Nome. Que venham meditar, de qualquer parte do mundo, na Paixão de Meu Filho que está muito esquecida», referiu alegadamente a Virgem na sua mensagem de 14 de junho de 1981.

Ricardo Perna
Publicado em Igreja

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