Sexta-Feira, 31 de Outubro de 2014
 
   
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Férias de Verão

Como ocupar os mais novos

Segunda-Feira, 02 Julho 2012

Os meses de verão são sinónimo de liberdade, diversão e brincadeira para os mais pequenos e de muita criatividade para os adultos. Com praticamente três meses de férias há que manter as crianças ocupadas, de preferência com qualidade. Avós, tios e primos, colónias, ATL são algumas das possibilidades. Conheça alguns aspetos a ter em conta na hora de escolher.

 

Diversão será talvez a palavra que melhor caracteriza as férias de verão. Com mais ou menos atividades, os mais pequenos encontram maneira de se divertir com as mais pequenas coisas. Ocupar-se não se lhes afigura como um problema, de todo.

No entanto, para os pais, este é um aspeto a levar em conta, uma vez que as férias escolares de verão representam mais do dobro do tempo que a maioria dos pais tem como férias.

«Como o vou manter ocupado? Como lhe vou proporcionar umas férias divertidas e preenchidas? Como evito que passe demasiado tempo em frente da televisão ou da playstation

Estas são perguntas a que os pais têm de dar respostas. Por um lado, são mais difíceis de responder em termos familiares, porque as mães trabalham, porque muitos avós ainda não estão reformados e não têm possibilidade de ficar com os netos ou porque tios e primos já não estão ali à mão.

Por outro lado, são mais fáceis de responder no contexto extrafamiliar, porque de norte a sul do país há muitos espaços dedicados a preencher as férias dos mais pequenos.

Opções há muitas!

Existem inúmeras opções com diferentes tipos de atividades, resta aos pais adequá-las às características dos seus filhos, às suas e às condições da família.

Patrícia Soares, educadora de infância, considera que é importante e positivo o recurso a ATL de verão, pois correspondem a uma alternativa aos pais, ocupados com os seus empregos. São positivos também pelo facto de permitirem às crianças trabalhar a parte lúdica, uma componente muito importante num desenvolvimento saudável e feliz. «Acho que é muito importante o ATL estar focado nas atividades lúdicas durante o verão e há imensas coisas que se podem fazer», explica.

Nem todas as atividades agradam a todas as crianças, nem todas as dinâmicas e organizações se encaixam no perfil dos pais ou dos filhos, por isso, na hora de escolher os pais devem ponderar as suas características, as da sua criança, bem como os resultados que esperam obter.

A visita aos locais, o testemunho de outros pais, o esclarecimento de todas as questões que considerarem pertinentes são muito importantes para que depois não haja nenhuma deceção ou expetativa gorada.

E, na opinião da educadora de infância, há um indício que diz algo sobre a boa organização e funcionamento destes locais, as crianças. Crianças livres e felizes, mas conhecedoras de regras dizem-nos que aquela estrutura funciona bem. «Um dos pontos a que os pais devem estar atentos num ATL é perceberem a organização e a atitude das crianças, a linguagem corporal que as crianças têm nesse espaço. Se estiver um grande turbilhão, uma tensão no ar em que eles estão muito agitados, parece que não há uma organização. Um bom indicador de que as coisas correm bem é que as crianças estejam num espaço de forma tranquila, livre», afiança a educadora.

Em termos gerais, há um ou outro aspeto que se revela positivo para quase todas as crianças. «Um pormenor muito importante é o facto de haver um espaço exterior, porque no verão é ótimo fazer-se atividades ao ar livre. As atividades que são realizadas num espaço fechado não privilegiam áreas que são tão importantes para as crianças se divertirem e se desenvolverem na parte mais física e motora. Depois há a questão daquilo que fazem efetivamente em termos de atividades lúdicas e de material também. Os pais devem ter algum cuidado a ver se existe material disponível para pinturas, para atividades relacionadas com a expressão dramática», refere Patrícia Soares.

Atividades na justa medida

Em termos de atividades há ATL para todos os gostos, desde pintura, a culinária, passando pela expressão dramática, desporto, música, origami, tratamento de animais, visitas a locais de interesse geral, entre muitas outras.
Gonçalo Santos tem filhos em idade de frequentar ATL e já recorreu a mais do que um sítio, desde a Gulbenkian a um ATL de equitação ou mesmo ao da escola. Na altura de escolher, refere que o testemunho de outros pais é muito importante, bem como as atividades disponibilizadas e o pessoal técnico. «A mim, como pai, importa-me a reputação da proposta de ATL (testemunhos de outros pais), o conteúdo programático e o rácio animadores/crianças.»

Apesar de já ter tido várias experiências a nível de ATL, este pai considera que estas atividades são positivas se apreciadas na justa medida. «Também me parece fazer sentido não encavalitar actividades umas a seguir às outras... que os miúdos não se tornem uns profissionais do ATL... acho que uns dias sem fazer nada em casa também são bons nem que seja para valorizar o que vem a seguir...», defende.

Tânia Palma tem uma menina de sete anos e recorre a atividades extracurriculares para ocupar o tempo da filha durante as interrupções letivas em que não a pode acompanhar por estar a trabalhar. A sua preocupação é não só que esteja ocupada, mas em segurança. Nas últimas férias, pela primeira vez optou por uma colónia interna. «A colónia de férias foi um acaso. Não foi primeiro critério na minha procura, porque não são propriamente a solução mais barata, mas como surgiu a oportunidade de ir com a prima mais velha, de dez anos, tornou-se opção», explica.

Os fatores que a levaram a passar por esta nova experiência foram «as referências de pessoas conhecidas que colocaram os filhos por vários anos seguidos na mesma colónia, a qualidade do espaço, a localização próxima de casa para alguma eventualidade e o programa. O número de monitores também foi um aspeto que tive em consideração. Segundo os pais com quem falei, o retorno de crianças "repetentes" foi muito positivo e o facto de poder ir com a prima foi decisivo», remata.

Para quem está habituado a ter os filhos "debaixo da asa", a opção por uma colónia de férias pode revelar-se muito exigente a nível emocional. Mas contanto que seja uma boa colónia, esta é uma opção que pode trazer benefícios para pais e filhos. Ainda assim, é preciso ter perfil e ponderar, poderá haver pais e filhos para quem haja outras opções melhores. «É algo que os pais têm de estudar bem e pensar: Será que o meu filho tem as características para estar numa colónia de férias? Será que eu, enquanto pai, vou conseguir gerir isso da melhor forma? Mas é muito importante como experiência. Vai-lhes dar, a nível da socialização, uma vertente que eles não conheciam, que é conviver 24h com crianças e adultos que não fazem parte da sua rotina familiar. Eles vão ter de saber organizar a sua vida naquele espaço de tempo com outras pessoas», descreve a educadora Patrícia Soares.

Tânia Palma confirma esta necessidade de reflexão. A ideia de a filha estar longe durante sete noites não foi fácil de digerir e requereu muito trabalho de mentalização. «Acho a minha filha muito responsável e participativa no nosso dia a dia mas a maturidade e a independência dela para lidar com questões às quais costumo dar cobertura foram o meu principal receio. Como iria ela lidar com as dificuldades do dia, com situações novas e com as saudades. Na verdade, nem com os avós esteve alguma vez tanto tempo seguido.»

Mas numa colónia bem organizada e em que tudo correu como era suposto, esta mãe confirma o balanço positivo. «Ela gostou imenso de experimentar o sabor a liberdade. Tinham regras e responsabilidades, tarefas a cumprir de acordo com a faixa etária e teve de dar resposta às exigências. Telefonou-me feliz porque tinha organizado muito bem o seu roupeiro com as coisas que lhe coloquei na mala. Fez a gestão da roupa, e cuidou da sua higiene, participou nas atividades, fez amigos novos. Teve oportunidade de conhecer capacidades suas que dificilmente se revelariam no dia a dia em casa.»

Para os pais que não têm possibilidades para optar por ocupações pagas para os filhos, avós e tios podem revelar-se preciosas ajudas; se existirem primos, é meio caminho andado para umas férias de diversão. Não existindo, o esforço é acrescido, mas podem aproveitar-se pelo menos os finais de dia para desenvolver atividades com as crianças: as idas ao parque, à praia, os piqueniques, os jogos tradicionais no jardim em frente de casa, pinturas, culinária, etc. A garantia é que os mais pequenos têm a capacidade de aproveitar todos os momentos de diversão e fazer de cada período de férias as melhores férias de sempre!

Escolher locais

Numa pequena pesquisa pela Internet os pais podem encontrar vários exemplos de ATL ou colónias de férias para os seus filhos. A FAMÍLIA CRISTÃ colocou-se no papel dos pais e realizou essa mesma procura. Encontrámos locais com as mais variadas atividades, desde o origami, à culinária, passando por trabalho de tratamento de animais, equitação, jogos tradicionais, ténis, voleibol, futebol, teatro, dança, aprendizagem de línguas orientais, surf, bodyboard, música. Variedade não falta e as crianças podem gozar de várias experiências diferentes e ir contactando com realidades diferentes.

Verificámos preços muito díspares que podem ir dos 35 € aos 240 € por semana, sendo certo que não acedemos a todas as ofertas disponíveis, pelo que deverão existir ainda outros valores. As condições também divergem e os pais devem estar atentos a alguns detalhes: se o preço praticado inclui seguro, materiais, almoço e lanche, preços de bilhetes no caso de visitas exteriores e transporte para esses mesmos locais, pois nem sempre está tudo incluído nos valores praticados.

Normalmente, os horários das atividades situam-se entre as 8h e as 9h na hora de entrada e entre as 18h e as 19h na hora de saída. Os pais devem visitar os locais para verificar a existência de condições necessárias ao bom funcionamento das atividades e falar com os responsáveis para esclarecimento de dúvidas. Para os pais que não conhecem ainda nenhum sítio com atividades de verão, as experiências de vizinhos e colegas poderão ser um bom ponto de partida para procurar. Através da Internet, os pais poderão aceder a informações, fazendo pesquisa através de palavras como "ateliês férias", "ATL verão", "campo verão" e colocando a referência a 2012.

Rita Bruno
Publicado em Família
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Edição de Outubro/2014

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