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Brinquedos

Viver e sonhar a brincar

Sexta-Feira, 01 Junho 2012
A brincadeira e os brinquedos conjugam o verbo obrigatório da vida de uma criança, "brincar". No mês em que se celebra o Dia Mundial da Criança, a FAMÍLIA CRISTÃ fala sobre brinquedos, o que são, que espaço ocupam e que importância têm no desenvolvimento dos mais novos.

 

Os brinquedos habitam a nossa memória no cantinho das recordações de infância: os dias passados em casa uns dos outros a experimentar os brinquedos que não se tinham, as tardes de fim de semana passadas em família com jogos de tabuleiro, os dias passados na rua e em que tudo – até uma carica – servia para brincar, o boneco favorito que ainda hoje se guarda num armário de adultos porque a dada altura foi um grande amigo.

Num exercício de memória simples piões, berlindes, fantoches, casinhas, legos, bebés, pistas e carrinhos produzem uma imagem nítida de parte das crianças que fomos.

É impossível dissociar os brinquedos das crianças e, por sua vez, estes dois dão vida à brincadeira e ao brincar.
A importância deste ato é anterior ainda à existência dos próprios brinquedos e tudo pode servir para brincar. Um novelo de lã pode ser uma bola, um cobertor por cima de duas cadeiras pode ser uma tenda ou uma casa na árvore, um conjunto de pedras podem fazer um castelo, uma meia posta numa mão pode ser um fantoche. O importante é que se brinque.
Ana Durão, psicóloga, explica que «brincar» deveria ser sempre a tarefa principal das crianças. Às brincadeiras e aos brinquedos deve ser entregue o "pódio" da vida dos mais pequenos. «O brincar, independentemente do brinquedo que se tenha, seja uma lata ou seja uma barbie, é fundamental para o desenvolvimento emocional, motor e cognitivo de qualquer criança. A brincadeira é fundamental para qualquer criança se desenvolver num adulto saudável.»

Exercitar as competências

O facto de as crianças brincarem e de utilizarem brinquedos nas suas brincadeiras permite-lhes exercitarem as mais variadas competências e preparar-se para a realidade, mas preservando um espaço de sonhos e fantasias.
«Quando brincamos, ajudamos a desenvolver uma série de competências: a criatividade, a imaginação, podemos experimentar os papéis dos adultos, podemos testar regras, podemos imprimir as nossas vontades e os nossos medos nas brincadeiras e, portanto, é no fundo a maneira que a criança tem de experimentar um mundo real a que não tem acesso e de brincar com ele», esclarece a psicóloga.

Ana Durão exemplifica-nos a vivência da realidade através dos brinquedos, com o exemplo de uma casa de fantoches. Utilizando a experiência que tem com crianças em ambiente de colégio, explica-nos que através de grupos de fantoches, como o grupo da família ou dos amigos, inevitavelmente a realidade é transposta para a brincadeira pelos olhos da criança que a vê, os conflitos, as dificuldades, as alegrias, os medos, as expetativas.

Os brinquedos também são importantes desta perspetiva, a criança pode "exorcizar os seus fantasmas", encontrar maneiras para resolver os seus problemas, ter o seu porto seguro e sonhar.

A maneira como uma criança brinca fornece inúmeras pistas aos pais sobre o seu estado emocional, a maneira como se relaciona com os outros, os seus receios e desejos. Os pais podem conhecer e sentir os seus filhos brincando com eles e podem ajudá-los nas suas dificuldades exatamente pela mesma via.

E o mesmo brinquedo pode servir para muitas situações. É por isso que do ponto de vista da psicologia não se pode dizer que existam brinquedos maus, não são eles que transformam a personalidade das crianças, mas podem ser uma importante ajuda no seu desenvolvimento. «Oferecer, por exemplo, soldadinhos a duas crianças [pode] numa ter o impacto de estimulação da sua agressividade enquanto noutra vai proporcionar que ela consiga exteriorizar-se mais e ganhar alguns recursos que não tem para se defender ou para fazer justiça, ou para perceber que existem certos conflitos que tem de ultrapassar no contacto com o lado mau que se calhar não tem», refere a psicóloga.

Relação emocional com brinquedos

Com os brinquedos também se ensaiam emoções, sentimentos, afetos. É por isso importante que as crianças consigam estabelecer a dada altura, com algum brinquedo, uma relação emocional, afetiva. A criação desse laço é, não só uma preparação para a criação de laços com o mundo real, mas também o reflexo dos laços já existentes.

«A relação que elas [crianças] criam com um brinquedo fica fortalecida por certas características que não têm a ver com a cor ou com o som desse brinquedo, mas provavelmente com características emocionais que estão introduzidas nesse brinquedo – ou porque foi oferecido pelo pai, e um pai ausente, que está poucas vezes com [a criança], ou pela tia que a criança gosta muito, ou porque foi oferecido pelo avô que já não está cá... – e depois algumas características que a criança eventualmente coloca do ponto de vista do seu imaginário naquele brinquedo, ou seja, aquele pode ser o brinquedo que lhe dá segurança ou onde a mãe e o pai deixaram uma mensagem de que ele irá representá-los quando ela estiver a dormir ou então que é ele que por exemplo vai assegurar as boas noites de sono. O vínculo que se estabelece com um boneco é um vínculo que tem de ter alguma ligação com a coisa que a criança sente como segura, confortável, como afetiva. Se não for assim, o boneco tem pouca expressividade na vida da criança», alerta Ana Durão.

E aqui o papel dos pais é importante; o tempo que se passa com os brinquedos é importante para o estabelecimento de uma relação afetiva com eles. Para isso, é preciso tempo para brincar e tempo para aprender como se brinca. À semelhança da relação entre pessoas, em que estas se descobrem à medida que o tempo passa, a criança também tem de descobrir o brinquedo para se ligar a ele.

Ferramenta para a vida real

A falta de tempo para brincar das crianças de hoje em dia e o excesso de brinquedos podem ser uma dificuldade para o estabelecimento de vínculos emocionais e afetivos com os brinquedos. E é preciso manter em mente que os brinquedos são uma das ferramentas de preparação para a vida real e para o estabelecimento de laços afetivos com os outros. «Esse vínculo que se estabelece com os brinquedos é muito importante porque é também uma mensagem de construção do vínculo que essa criança irá criar com outras coisas na sua vida, com as pessoas, com um animal de estimação, com uma tarefa», adverte.

«Há crianças que têm muita dificuldade em brincar com um brinquedo só, mas muitas vezes a dificuldade não é só delas, é porque estão superestimuladas com imensos brinquedos. Como é que uma criança se organiza com tanta oferta?», questiona Ana Durão.

Muitos brinquedos não querem dizer obrigatoriamente muita brincadeira e também nesta área o que é demais nem sempre é ideal, mas pais e crianças podem ser educados para a qualidade em vez da quantidade, através da seleção, por exemplo, num trabalho de equipa.

Antes de se eliminar o "velho" para substituir pelo novo há que olhar e conversar com a criança, para que o vínculo não se interrompa abruptamente. Por vezes, os pais decidem «vamos deitar este [brinquedo] fora, vamos dar, sem perceberem muitas vezes que ainda não é o momento e às vezes até pode parecer muito despropositado a criança continuar a querer aquele brinquedo, mas se há essa necessidade ela deve ser respeitada. É preciso pensar quando é que se vai limpar o quarto porque a criança pode precisar desses brinquedos mais tempo e pode não ter consciência de que necessita daquele brinquedo e o adulto pode ajudar a perceber que essa necessidade existe.»

A brincadeira, os brinquedos e os vínculos com os brinquedos são muito importantes e os pais podem ter um papel ativo na construção de sólidas recordações felizes da infância, seja quando mostram como se brinca, quando escolhem um brinquedo ou quando observam as brincadeiras dos seus filhos.

A maneira de brincar pode ser muito diferente hoje em dia, os brinquedos são-no certamente quando comparados com os de há vinte ou trinta anos atrás, a tecnologia poderá ter retirado algum tempo à brincadeira, mas a importância do brincar, das brincadeiras e dos brinquedos manter-se-á a mesma para as crianças.

Rita Bruno
Publicado em Família

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