Sexta-Feira, 28 de Novembro de 2014
 
   
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VII Encontro Mundial das Famílias

De viagem até Milão

Quarta-Feira, 23 Maio 2012

Milão recebe o VII Encontro Mundial das Famílias, uma ocasião de reunião de todas as famílias do mundo com o Papa Bento XVI, que vai acompanhar os dois últimos dias do evento. A revista FAMÍLIA CRISTÃ vai estar presente para trazer a todas as famílias portuguesas que não puderem participar todas as novidades deste encontro, através da Internet e das redes sociais.

 

Num tempo em que a família aparece colocada em causa tantas vezes, parece estranho que alguém fale em juntar as famílias de todo o mundo para festejar e celebrar essa instituição milenar. No entanto, é mesmo isso que irá acontecer em Itália, na cidade de Milão, de 29 de maio a 3 de junho, com o VII Encontro Mundial das Famílias. «O próximo Encontro Mundial das Famílias constitui uma ocasião privilegiada para repensar o trabalho e a festa na perspetiva de uma família unida e aberta para a vida, bem inserida na sociedade e na Igreja, atenta à qualidade das relações além de à economia do mesmo núcleo familiar.» Foi assim que escreveu o Santo Padre ao presidente do Conselho Pontifício para a Família, Card. Ennio Antonelli, na carta de promulgação do encontro. Por isso, o tema que ficou para este encontro foi «A Família: Trabalho e Festa». Este é «um tema que faz referência à quotidianidade como o lugar em que a família se realiza – e para o dizer em linguagem cristã – encontra o seu caminho de santidade», refere Mons. Erminio De Scalzi, bispo auxiliar de Milão e presidente da Fundação Milão Famílias 2012, criada para este evento.

Este evento terá, claro, participação portuguesa. O que não se sabe é se será maciça. «O sector da Pastoral Familiar investiu bastante na divulgação do evento pelas dioceses, mas não saberemos até perto da data quantas pessoas irão participar, porque muitas das famílias irão por si, e só nos encontraremos lá», refere-nos Graça Mira Delgado, coordenadora do Departamento Nacional da Pastoral Familiar.

Do que a responsável não tem dúvidas é da importância do evento para as famílias. «É nestes encontros que vamos buscar aquilo que nos une, aquilo que é comum, os valores que estão na essência da família. Isto pode reforçar-nos, dar-nos um novo entusiasmo», defende Graça Mira Delgado.

Nestas coisas da participação o melhor é mesmo ouvir quem vai participar. É o caso da família Silva. Maria da Conceição Silva, a mãe, tem 65 anos e é reformada, tem grandes expetativas. «É a primeira vez que participamos num encontro destes e esperamos que a nossa família possa crescer mais na fé e encontre sempre em Jesus a força para fazer da vida uma festa, em todos os momentos», refere. Já o marido José, de 59 anos, que está de momento desempregado, explica que tudo começou numa reunião da Pastoral Familiar em Braga, diocese onde residem. «Tivemos conhecimento do Encontro Mundial das Famílias numa reunião da Pastoral Familiar da nossa paróquia, onde nos foi feito o convite e achámos que seria uma oportunidade para aprofundar e fortalecer a nossa fé», conta.

Este parece ser, aliás, um encontro feito à medida dos pais. «Há dois momentos muito importantes: as conferências, que sabemos que girarão à volta do tema do encontro, e que são de uma qualidade muitíssimo boa; e a Festa das Famílias, que tem o encontro com o Papa, a celebração de domingo, e que junta sempre mais famílias», diz Graça Mira Delgado, que admite que muitos dos eventos acabam por ser mais para os pais do que propriamente para os filhos. «Não é fácil organizar eventos que interessem tanto a pais como a filhos, pelo que a parte do congresso, embora tenha algumas animações e dinamizações de jovens, é mais indicada para os pais, de facto. No entanto, a Festa das Famílias é claramente para todas as famílias», diz Graça Mira Delgado.

Uma experiência enriquecedora

No caso da família Silva, tanto pais como filha parecem partilhar do mesmo entusiasmo. Aliás, a filha Sara, a mais nova e a única das três irmãs que vai acompanhar os pais, até mais um pouco que os próprios pais, por incrível que pareça. «Não foi preciso convencerem-me... Gostei da ideia e, por isso, fui eu própria que incentivei os meus pais a aceitarem participar neste encontro. Achei que seria uma experiência diferente e enriquecedora nos mais variados aspetos e também uma ótima oportunidade para contactar com pessoas de diferentes culturas que partilhem dos mesmos valores da nossa família», conta a jovem de 16 anos, para quem a experiência irá ser, ela está certa, «interessante». «Conto que seja um encontro interessante que nos proporcione bons momentos em família e que nos faça sentir, ainda mais, parte de uma família maior, a comunidade cristã de todo o Mundo», sustenta.

Em relação ao encontro propriamente dito, apenas se conhecem as linhas gerais de organização ainda. No entanto, há dois momentos que Graça Mira Delgado destaca desde já. «Queremos, no sábado, reunir todas as famílias presentes em Milão com o D. Antonino Dias, presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família, para uma celebração em conjunto. Depois, há sempre a presença do Papa Bento XVI, que é muito importante», refere a coordenadora nacional da Pastoral Familiar. Aliás, Graça Mira Delgado espera do Papa uma mensagem que faça a diferença. «Sem fazer futurologia, julgo que será uma animação das famílias a acreditar no futuro. Todas estas crises têm um fundamento grande, e será um apelo que o Papa fará no sentido de a família se tornar aquilo que é. Mercê das crises e de todas as dificuldades, há uma certa tendência a deixar cair os braços, e nós precisamos que o Papa nos faça um apelo ao valor que está inerente à família e que nós temos de voltar a descobrir», afirma a responsável da Pastoral Familiar no nosso país.

Para se poderem preparar em conformidade com o que se irá falar e festejar naqueles dias, o Vaticano enviou catequeses preparatórias, que visam apoiar as famílias nesta caminhada de preparação para o encontro. «As catequeses preparatórias servem para ajudar as famílias a fazerem esta caminhada, quer vão ou não ao Encontro. Com o seu percurso, as catequeses estão muito bem feitas e quem puder fazer esse acompanhamento com certeza que vai lucrar muito com isso. Julgo que em Portugal há bastantes famílias a trabalhar essas catequeses», refere Graça Mira Delgado. José Silva confirma que em sua casa, pelo menos, são estas as catequeses que estão a servir de preparação. «Estamos a seguir as catequeses preparatórias para o encontro, refletindo e trocando impressões sobre os temas apresentados», conta José Silva. Estas catequeses são 10 e visam trabalhar temas sobre Família, trabalho e festa, como o próprio tema do encontro sugere [ver caixa].

Maria da Conceição refere que a decisão de participação neste encontro foi também influenciada pela necessidade de educar a sua filha na fé cristã. «Nós, como cristãos, empenhamo-nos na educação das nossas filhas e no seu crescimento na fé e, portanto, decidimos participar neste encontro», refere. Graça Mira Delgado complementa a ideia com a certeza de que é nesta altura em que família está mais em «crise» que fazem falta eventos deste género. «Mais do que nunca, faz sentido pensar num Encontro Mundial das Famílias. É aí que vamos encontrar aquilo que nos une, aquilo que é comum, os valores que estão na essência da família. Isto pode reforçar-nos, dar-nos um novo entusiasmo. Claro que é difícil, e muitas famílias quereriam ir, mas não podem, porque envolve despesas, mas de qualquer maneira vale a pena manter esta perspetiva universal dos valores que pretendemos viver nas famílias cristãs», sustenta a responsável.

Voltando a Mons. De Scalzi, «o Encontro Mundial das Famílias é uma oportunidade para a nossa Igreja e para toda a sociedade civil para se abrirem a uma dimensão realmente "católica", genuinamente universal. O encontro será uma ocasião preciosa para nos enriquecermos com as histórias de vida das famílias de todo o mundo: há muita coisa a unir as famílias humanas, mesmo as de culturas distantes. Estou certo de que nestas ocasiões saberemos exprimir o nosso acolhimento, em especial para quem vem de um país longínquo e diferente do nosso». Milão espera, assim, pelas famílias de todo o mundo.

Ricardo Perna
Publicado em Família

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