Quinta-Feira, 23 de Outubro de 2014
 
   
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Maria

Modelo de Mãe

Quarta-Feira, 02 Maio 2012

Viveu entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo. Teve uma missão grandiosa na história da relação de Deus com o mundo. No seu ventre gerou o Filho de Deus. Uma missão divina com uma presença muito humana. Maria: mulher, mãe e educadora. Um modelo para quem procura ser melhor em cada dia.

 

«Mudou a nossa forma de ser, viver, amar e acreditar! Trouxe-nos um mundo novo e por causa dele somos mais felizes!» O comentário foi colocado em forma de post no blogue Um Mundo Novo, no dia em que o filho mais novo da autora completava dois anos de idade. Um mundo novo é um blogue em que Márcia Carvalho vai anotando, há cerca de sete anos, as alegrias de ser mãe, os momentos em que os filhos crescem e as peripécias do seu crescimento. Mas é também um espaço de desabafo de uma mulher exigente com a tarefa da maternidade. As alegrias proporcionadas pela maternidade de três filhos são, às vezes, proporcionais às birras de três crianças em dias de menos paciência. «Sinto-me a pior mãe, a pior pessoa, quando oiço alguém falar das mães como poços de tranquilidade e paciência para com os seus filhos.» O desabafo é feito num post ao final de um dia que começou às 6h30 com os três filhos no quarto, cada um mais rabugento que o outro.

A FAMÍLIA CRISTÃ foi ao encontro de Márcia Carvalho, 38 anos e mãe de três filhos, três rapazes: o mais velho tem sete anos, o do meio, cinco e o mais novo, dois anos. Márcia teve uma educação católica, durante a sua juventude pertenceu ao Movimento de Encontro Jovens Shalom e hoje é uma cristã empenhada na vida da sua paróquia. Como mãe reconhece as suas falhas: «Falho tanto e todos os dias nas coisas maiores e nas mais pequenas!», afirma. Mas todos os dias tenta recomeçar.

Quando lhe pergunto que modelo de Mãe vê em Maria responde: «Se há coisa que eu tento aprender com Maria, Mãe, é a sua capacidade de olhar e viver a sua maternidade como dom de Deus. Maria olhava para o filho como um tesouro que Deus lhe deu para guardar. Ela sabia qual o seu papel e viveu-o com intensidade. Jesus foi-lhe confiado e ela cuidou d'Ele sabendo que Ele não era seu.» Márcia reconhece que nem sempre vive assim a maternidade. «Nem sempre sei olhar para os meus filhos como um tesouro que me foi confiado e, no entanto, quando os olhos, cheiro e os sinto apertados no meu abraço, sei, acredito, reconheço, que estas vidas são especiais porque são uma Graça de Deus na minha vida. Peço, sempre, a Maria que me ensine isso e que me dê a sua capacidade de ser paciente, obediente e de saber esperar», afirma Márcia.

Devoção mariana

Amélia Gonçalves, 53 anos, vai buscar as suas raízes a uma aldeia da Beira Alta marcada por grande devoção mariana. Cresceu a ver a sua mãe rezar o terço a Nossa Senhora. Da sua mãe terrena e da sua Mãe Maria retirou o modelo de mãe que gostaria de vir a ser. «Maria é o exemplo de Mãe dedicada e protetora», refere Amélia Gonçalves.
Hoje tem duas filhas, Sara de 18 anos e Inês de 13. Diz tê-las criado tendo como referência Maria. «Tentei transmitir-lhe a imagem de que Maria é um exemplo de bondade e misericórdia e que através dela podemos seguir o caminho de Cristo.»
A educação parece estar a dar os seus frutos. Sara e Inês são hoje duas jovens empenhadas na vida da sua paróquia. Sara é catequista e Inês faz parte do grupo coral. Em jeito de brincadeira, Inês lá vai dizendo que, recentemente, até foi ela que levou a mãe para junto de Nossa Senhora quando, no âmbito da catequese, teve de preparar o terço no mês de maio. Desde então, Amélia, todos os dias do mês de maio vai à igreja rezar o terço, muitas vezes acompanhada pelas próprias filhas.

É nas Sagradas escrituras que encontramos Maria como modelo de Mãe. «Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da Virgem era Maria.» (LC 1,26-28) É a primeira referência que encontramos nas Sagradas Escrituras a Maria e uma das poucas ao longo de todos os textos do Novo Testamento (NT).

A presença de Maria nos textos bíblicos é discreta e contrasta com a missão que foi chamada a desempenhar no mundo, a missão de dar à luz o filho de Deus. «É surpreendente como os autores bíblicos do NT são tão silenciosos em relação a Maria», afirma a biblista Luísa Almendra, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa mas também religiosa do Sagrado Coração de Maria. Mas logo avança para uma explicação dizendo que «os autores bíblicos não quiseram retirar a centralidade a Cristo e Maria esteve sempre ao serviço dessa centralidade». Esta religiosa vai enumerando as passagens onde Maria aparece; a anunciação, a visitação, o nascimento, a apresentação de Jesus no Templo, as bodas de Caná, junto à Cruz, na ascensão de Cristo... Para esta biblista, que traz Maria no coração, apesar das poucas referências e das poucas falas que nos chegam de Maria, a Maria dos textos bíblicos é «uma Maria muito humana». «Maria é a porta que Deus encontra para entrar de uma maneira nova na humanidade», afirma Luísa Almendra.

Durante toda a vida de Jesus, Maria aprendeu a conviver com a humanidade de Deus. Se olharmos para a paixão e crucifixão de Cristo, os textos bíblicos dizem-nos que ela estava lá mas nunca a ouvimos falar. «Ela viveu estes momentos certamente de uma maneira única», afirma Luísa Almendra, lembrando a frase de Lucas que diz que «Maria meditava todas as coisas no silêncio do seu coração». Daí que considere que a devoção a Maria é incomparável à devoção a qualquer outro santo. «Nós desenvolvemos uma devoção mariana, não porque Maria subiu ao Céu e está com Deus mas porque ela viveu na Terra, fez experiência da dor, da alegria como um ser humano. Vemos as mães a chorar viradas para Maria e são as mesmas lágrimas», explica.

Maria educadora

É nesta humanidade tão igual à de cada mãe que encontramos Maria como modelo. Matilde e Leonor pertencem à Liga de Mães do Movimento Apostólico de Schoenstatt, um movimento que tem em Maria a grande educadora. A missão é gerar novamente Cristo no coração das pessoas. «Maria educa-nos muito porque é ela que nos leva ao Filho», afirma Matilde Santos Costa, 70 anos, mãe de dois filhos e avó de três gémeos. «Eu dizia sempre aos meus filhos que tinham muita sorte porque tinham duas mães, embora só a do Céu fosse perfeita.» Mas Maria foi uma mulher igual a muitas outras e sofreu. «O sofrimento começou logo quando o Anjo lhe disse que estava grávida sem sequer conhecer marido», explica Matilde.

Por seu lado, Leonor Simões, também com 70 anos, viúva, mãe de três filhos e avó de seis netos, destaca o outro lado humano de Maria. «Ela também teve alegrias, viu crescer o seu filho em estatura e graça com um companheiro extraordinário. No fundo teve uma vida normal: coisas boas e coisas más.» É no seio desta vida humana e da forma como Maria a desempenhou que estas mães foram buscar o modelo. «Maria ajuda-nos a discernir quem somos, ajuda-nos a melhorar, daí a sua capacidade educadora», afirma Matilde.

Leonor recorda a oração que o movimento adotou e que pode ser o lema das mães que veem em Maria um exemplo: «Torna-nos semelhantes a ti e ensina-nos a caminhar na vida como Tu: forte e digna, simples e bondosa, irradiando amor, paz e alegria. Em nós percorre o nosso tempo, prepara-o para Cristo.»

Imelda Monteiro
Publicado em Família

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