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Projeto Família

Padrinhos, precisam-se

Sexta-Feira, 13 Janeiro 2012
Investir na família é preparar o futuro. Uma criança que cresce com boas referências familiares irá contribuir para uma sociedade mais organizada, pacífica e melhor. É com esta crença que o Movimento de Defesa da Vida aposta no Projeto Família – uma iniciativa que intervém junto das famílias com crianças em risco de ser institucionalizadas. O sucesso está perto dos 90% – e é também graças aos padrinhos do Projeto Família que é possível obter este resultado.

«Acreditamos nas pessoas» – é com esta frase de confiança que Graça Mira Delgado, do Movimento de Defesa da Vida (MDV), justifica o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Projeto Família.

Há milhares de crianças em situações de risco em Portugal e muitas famílias vivem problemas sociais graves. É sobretudo nestes casos que a desestruturação familiar tem maior incidência.

O Projeto Família, tal como indica o nome, atua junto das famílias que vivem um momento de crise e que querem, de facto, fazer mudanças nas suas vidas para conservarem os seus filhos, evitando a institucionalização.

Um trabalho intensivo

As situações mais frequentes nestas famílias estão relacionadas com pobreza, alcoolismo, toxicodependência, gravidezes de adolescentes, violência doméstica e familiar, falta de hábitos de higiene, negligência dos pais, más condições de habitação e problemas do foro mental.

É nestes cenários da vida real que, durante seis semanas intensivas, um assistente familiar é disponibilizado 24 horas por dia, sete dias por semana, para treinar as competências de cada família em concreto. «Já evitámos que 940 crianças fossem institucionalizadas», refere, orgulhosa, Graça Mira Delgado.

Nestas histórias, onde cabe o papel do padrinho? «Os padrinhos apoiam este projeto financeiramente.» O contributo monetário dos padrinhos do Projeto Família proporciona o acompanhamento por um assistente familiar aos pais e filhos que precisam de ser ajudados. Por sua vez, o técnico ajuda a família a recuperar as competências, promove o apoio escolar das crianças, capacita as famílias para as tarefas domésticas e apoia no encaminhamento do núcleo familiar para os serviços públicos que forem precisos.

Há o padrinho particular e o padrinho empresa. Dentro destas duas modalidades há várias formas de ajudar. Um padrinho particular, por exemplo, pode oferecer 5 euros por mês ou 60 euros por ano. «A contribuição é pequena – precisamos de muitos [padrinhos]», apela a responsável do MDV.

Às empresas interessadas em apadrinhar o projeto pede-se um volume financeiro maior: um donativo de cerca de 7000 euros anuais, o que irá ajudar um maior número de pessoas – mas em tempo de crise, as contribuições espelham o estado do país. «O ano de 2011 foi muito difícil, porque as empresas retraíram-se», constata.

Numa época em que o país vive mergulhado em grandes dificuldades económicas e financeiras, a dádiva de qualquer quantia pode fazer mossa, quer no orçamento das famílias quer no das empresas, situação esta que ajuda a explicar que, no total, o Projeto Família tenha «poucos padrinhos, cerca de 30».

Nuno Lima Félix, 37 anos, está incluído naquele número. Este pai de quatro filhos tomou a decisão, juntamente com a esposa, de contribuir para uma causa ligada à defesa da célula-base da sociedade. Hoje em dia os peditórios são tantos, e os recursos são tão escassos, que Nuno reconhece que tiveram de ser seletivos: «Hoje em dia estamos constantemente a ser "bombardeados" por diversas causas e/ou associações a pedir ajuda. O Projeto Família foi uma das que escolhemos pelo que representa e pela ajuda que propõe dar a algumas famílias.»

Para o Nuno é essencial «poder ajudar a manter uma família junta, não separando os filhos dos seus pais.» Este pai realça: «Havendo um apoio e acompanhamento externos, quer ao nível das crianças quer ao nível das famílias e do seu comportamento, é sempre preferível as crianças estarem no seu ambiente familiar. Sendo pais de quatro filhos, não é fácil pensar em não os ter todos em casa, por que razão seja.»

O que mais sensibilizou esta família numerosa no momento de decidir apadrinhar o projeto foi o facto de «a atuação ser feita por profissionais em casa das crianças, com as crianças e as suas famílias».

É um investimento «em crianças que tanto precisam»: «É um facto que poderíamos canalizar esse dinheiro para outras coisas mais pessoais, mas o efeito não seria o mesmo. Nós vamos fazendo o que podemos», afirma o pai Nuno.

Um modelo de família

Estes padrinhos não têm contacto com as famílias ajudadas do projeto. Aliás, nem é suposto que haja, por uma questão de respeito e privacidade das pessoas que estão a ser alvo de intervenção. «O poder ajudar indiretamente e saber que algures uma família está a ser ajudada por nós já é gratificante o suficiente», afirma o casal Lima Félix.

Neste projeto não se dá diretamente o "peixe" para se matar a fome, mas investe-se em competências parentais, organização doméstica, financeira e económica da família. Cada técnico tem duas famílias a seu cargo, o que possibilita uma atenção mais focada. Há cinco técnicos a trabalhar em Lisboa, dois no Porto e em Setúbal e um em Sintra. Em simultâneo estão 20 famílias a ser " trabalhadas" em seis semanas. Durante o ano passado foram acompanhadas 239 crianças (segundo os dados disponibilizados de janeiro a novembro).

Em 2010, o número de famílias avaliadas/acompanhadas foi de 144, o que correspondeu a 337 crianças e a taxa de sucesso das intervenções realizadas foi de 88%. «Ao fim de um ano as famílias mantêm as crianças consigo – isto é brutal em termos económicos, porque uma criança institucionalizada custa por mês mais do que a intervenção do Projeto Família por ano», sublinha a responsável do MDV.

Ajudar a crescer

Anualmente, uma intervenção do Projeto Família custa cerca de 1100 euros. «Ao financiar este projeto estamos a poupar dinheiro ao país, rentabilizamos os custos sociais e ajudamos as crianças a crescer», frisa Graça Mira Delgado.

As famílias são encaminhadas para este projeto por entidades como as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, o Tribunal de Família e Menores, lares e centros de acolhimentos de crianças que solicitam a intervenção.

Vale a pena investir nestas crianças, diz, «porque amanhã serão adultas que poderão dar um contributo válido para a sociedade se tiverem um modelo de família minimamente equilibrado onde possam ter crescido».

«A criança institucionalizada», prossegue, «por melhores que sejam os educadores, não têm uma referência familiar. Os educadores entram e saem, vão e vêm. A criança não tem a continuidade do afeto de uma mãe e de um pai, mesmo que não sejam perfeitos.»

De salientar que nem todas as famílias são elegíveis para este projeto, nomeadamente onde há abusos de ordem sexual.
As que são sinalizadas para serem intervencionadas estão, em princípio, com vontade de mudar: «Há a ideia de que uma família é disfuncional porque os pais não prestam. Não acredito nisto. Eu acredito que a maioria dos pais gosta dos seus filhos e quer tê-los ao seu lado. Se lhes faz mal, normalmente é porque não sabe fazer de outra maneira – e se nós conseguirmos sensibilizar os pais de que que há outras maneiras de educar para não prejudicarem os seus filhos ou para que não lhes sejam retirados, eles mudam.»

Será que todas as famílias mudam verdadeiramente? «Nem todas. Há crianças que não podem continuar com as suas famílias, pelo menos neste momento. Mas acreditamos que as pessoas são capazes de mudar. Ninguém muda por decreto ou porque o outro acha que tem de mudar. Quando é confrontada com a retirada dos filhos, a grande maioria das famílias reage, entra em crise. E a crise é sinónimo de possibilidade de mudança.»

Depois de um trabalho intensivo de meia dúzia de semanas, poderão ver-se, em regra, melhorias. Após essa intervenção, há um acompanhamento mais espaçado dos casos. E se for necessária, poderá ser feita nova intervenção, caso se alterem as condições daquela família.

O que mudou nos últimos tempos para este projeto foi o acentuar da crise que se reflete na falta de padrinhos. Se esta situação se mantiver, o Projeto Família poderá ficar com menos meios já a partir deste ano: «Como são as pessoas que trabalham as famílias, o número de famílias e crianças vai ser forçosamente reduzido.» É com receio do futuro que Graça Mira Delgado adverte: «Se não investirmos na família, dificilmente daqui a 15/20 anos, vamos ter uma sociedade equilibrada, pacífica, feliz e resiliente às situações que vão aparecendo.»

O padrinho Nuno sublinha, em jeito de conclusão que, «se todos ajudarem um bocadinho, grandes coisas podem ser alcançadas».

Para mais informações sobre o Projeto Família, visite o sítio Web www.mdvida.pt, envie um e-mail para Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ou contacte o 217 994 530.

Sílvia Júlio
Publicado em Família

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