As escolhas do Nobel da Paz dos últimos anos foram cercadas de polémica. No ano passado, o escolhido foi o activista chinês Liu Xiaobo, que cumpre uma pena de 11 anos em prisão domiciliária na China por organizar um manifesto pró-democracia. O governo chinês protestou contra a escolha, afirmando que Liu é um «criminoso que violou a lei chinesa». Em 2009, o premiado foi o presidente americano, Barack Obama, que tinha menos de dez meses no cargo. Obama tinha herdado do seu antecessor, o republicano George W. Bush, um país imerso em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, e não conseguiu até hoje cumprir a sua promessa de campanha de desactivar a prisão da base americana na baía de Guantánamo, em Cuba, onde teriam sido cometidos abusos aos direitos humanos dos presos, capturados durante a chamada «Guerra ao Terror».
Recorde de indicações
As vencedoras do prémio – escolhido por um comitê formado por cinco membros – receberão uma medalha de ouro, um diploma e dividirão 10 milhões de Kronas suecas (pouco mais de 1 milhão de euros ) que lhes serão entregues numa cerimónia em Oslo no dia 10 de Dezembro.O Nobel da Paz deste ano teve um número recorde de indicações, com 241 indivíduos ou instituições.
Entre as especulações que circularam antes do anúncio do prémio, estavam nomes relacionados com as sublevações da Primavera Árabe, como os activistas egípcios Esraa Abdel Fattah e Ahmed Maher, fundadores do movimento jovem 6 de Abril, o executivo da Google Wael Ghonim, que ajudou a inspirar os protestos contra o governo na praça Tahrir, no Cairo, ou a blogueira tunisiana Lina Ben Mhenni, que relatou pela internet os acontecimentos no seu país.
Outros nomes de possíveis ganhadores citados antes do anúncio incluíam o dissidente cubano Oswaldo Payá, a TV árabe Al Jazeera e a União Europeia. O Prémio Nobel da Paz é um dos cinco prémios criados por Alfred Nobel, inventor da dinamite. O Nobel da Paz é o único deles cujo comité de escolha fica baseado na Noruega. Os demais prémios são entregues na Suécia.


