O estudo elaborado por quatro investigadores portugueses pretende saber até que ponto o sedentarismo das crianças interfere com a sua coordenação motora. E os resultados foram surpreendentes: as crianças que passam mais de três quartos do dia em atividades sedentárias como ver televisão, jogar computador ou até sentados numa sala de aula chegam a ter nove vezes pior coordenação motora do que as crianças que fazem atividade física. E piores notas. «A infância é um período crítico para o desenvolvimento das competências da coordenação motora que é essencial para a saúde e bem-estar», afirma Luís Lopes, um dos autores do estudo. A investigação demonstra ainda que a atividade física por si só não reverte os efeitos negativos que o elevado nível de sedentarismo provoca na coordenação motora. «Os resultados mostram a importância de estabelecer um tempo máximo para comportamentos sedentários, enquanto se encorajam as crianças a aumentar os níveis de atividade física», concluem os autores.
A equipa da Universidade do Minho analisou 110 raparigas e 103 rapazes de 9 e 10 anos de 13 escolas básicas em zonas urbanas, tendo medido objetivamente os comportamentos sedentários e a atividade física. A coordenação motora foi avaliada com vários testes físicos, que incluíram avaliação de equilíbrio, saltos de obstáculos ou deslocação de plataformas. Os testes foram complementados com um inquérito aos pais para aferir variáveis de saúde.
Os resultados do estudo mostram que, em média, as crianças passam 75,6 por cento do seu tempo sedentárias, com o impacto na coordenação motora a ser maior nos rapazes do que nas raparigas. As meninas que passam mais de 77 por cento do tempo dedicando-se a atividades sedentárias apresentam quatro ou cinco vezes pior coordenação motora do que as raparigas ativas. Já em relação aos rapazes, aqueles que em 76 por cento do seu tempo são sedentários chegam têm entre cinco a nove vezes pior coordenação motora do que os seus pares ativos.


