Segundo notícia do The Guardian, a primeira tradução da Bíblia em norueguês em 30 anos liderou as tabeças de vendas do país quase todas as semanas entre a sua publicação em outubro e o final do ano, vendendo quase 80 mil cópias até agora, superando as expetativas. Aquando do seu lançamento no Outono, viu-se um fenómeno tipo "Harry Potter", com filas durante a noite e livrarias a esgotarem o stock lgo no primeiro dia, tudo por causa da pressa dos noruegueses em colocar as mãos sobre a nova edição.
«Nós só imprimimos 25 mil para começar, e pensei que iria durar seis a nove meses, mas foi lançado em meados de outubro e até final do ano, vendemos 79 mil cópias - é simplesmente incrível», disse Stine Smemo Strachan, que trabalhou no projeto para a Sociedade Bíblica norueguesa. «Só saímos do primeiro lugar uma vez, por causa do [autor literário] Karl Ove Knausgård ... Havia pessoas a dormir à porta das livrarias no dia antes do lançamento, porque foi embargado – o que é um pouco irónico, já que o conteúdo está disponível há bastante algum tempo», referiu o responsável.
Trinta tradutores, consultores, padres e académicos traduziram do original grego e hebraico para a nova edição em norueguês, com uma equipa de 12 autores literários incluindo Knausgård e o dramaturgo Jon Fosse, que, em seguida, suavizaram esse texto. «Obviamente, foi muito importante para obter a tradução correta, mas também queria que fosse legível, para se certificar de que era linguagem literária boa», disse Smemo Strachan. «Nenhum desses autores são religiosos - todos eles são simplesmente muito bons escritores literários que pensaram que seria um projeto interessante para se verem envolvidos».
Uma versão «literária» da Bíblia, sem capítulos ou versículos, que «se lê como um romance», também foi publicado e tem «vendido incrivelmente bem», disse o editor.
Segundo dados oficiais, 80% dos 4,9 milhões que constituem a população da Noruega pertencem à Igreja da Noruega, mas nem todos os compradores da Bíblia a terão comprado por motivos meramente religiosos. «Certamente não podem simplesmente ser cristãos ativos que estão a comprar, porque eles simplesmente não fariam estes números que temos assistido", disse Smemo Strachan.
Os assassinatos deste Verão em Oslo e Utøya não são vistos como um motivo para quebra de recorde de vendas da Bíblia. «É difícil dizer: é óbvio que teve um grande impacto sobre o país e as pessoas aqui», disse Smemo Strachan. «Mas o sucesso está sendo atribuído ao fato de que sua publicação é visto como um evento cultural, e à sua legibilidade», concluiu.

