O festival de música de Paredes de Coura é o mais antigo dos actuais festivais de música de Verão. Desde 1993 que multidões se juntam na praia do Tabuão para ouvirem boa música. Este ano, um outro festival ocupa os terrenos de Paredes de Coura. Um festival que pretende congregar uma multidão de jovens, promover música portuguesa e estrangeira de inspiração cristã, e evangelizar. «O Festival JOTA surge em 2007 na diocese da Guarda num desejo grande de fazer alguma coisa pela música de inspiração cristã em Portugal, nomeadamente a música católica. Pegando nos esquemas que havia de festivais de Verão, vimos a oportunidade de os transformar num meio de evangelização excepcional para os jovens», conta o Pe. Jorge Castela, do departamento da pastoral juvenil da Guarda e um dos mentores deste projecto. A primeira edição, que se realizou na Guarda, «superou todas as expectativas», confessa o Pe. Jorge, que acrescenta que o festival recebeu 600 pessoas nessa altura.
À terceira edição, em 2009, foi decidido deslocalizar o festival. «Sabíamos que este era um trabalho voluntário e de gratuidade, sendo complicado assumi-lo todos os anos no mesmo local, com as mesmas pessoas. Por outro lado, achámos que variar o local ia permitir a outras pessoas terem acesso ao festival, tornando-o um evento nacional», justifica. São Jacinto, na diocese de Aveiro, venceu o concurso e a edição do ano passado juntou cerca de 1800 participantes, batendo os recordes de participação das edições anteriores. Este ano, a diocese de Viana do Castelo resolveu candidatar-se e ganhou, conforme explica o Pe. Meira, director do departamento da pastoral juvenil da diocese. «Achámos a iniciativa interessante, e como sabíamos que tínhamos boas condições para isso no local onde se costuma realizar o festival de Paredes de Coura, avançámos e fomos escolhidos», refere. Assim, algumas das estruturas que costumam ser montadas para o festival que ali se realiza todos os anos vão estar disponíveis mais cedo. «O Paredes de Coura começa na semana a seguir ao Festival JOTA, por isso algumas das suas estruturas serão montadas para nós e depois ficam para eles», adianta o Pe. Meira. A expectativa de participação dos jovens é elevada. «Esperamos uma boa participação dos jovens da nossa diocese, do resto do país e até da Galiza, onde estamos a fazer também divulgação. Estamos a contar com três mil participantes pelo menos, mas quantos mais melhor», afirma o Pe. Meira. O Pe. Jorge, que esteve em todas as organizações anteriores, diz que o acontecimento começa a ganhar o seu lugar na agenda dos jovens. «Sentimos que neste momento já há pessoas que marcam o Festival JOTA nas suas agendas como evento a não perder, porque repetem a participação ano após ano. Temos sempre pessoas diferentes, mas muitos são fiéis e vão sempre, porque há qualquer coisa interessante nisto», sustenta o Pe. Jorge.
O cartaz da edição de 2010 vai ser diferente dos anos anteriores. «Nos anos anteriores, houve sempre novidades,
Os Laetare (Alegrai-vos, em latim) são uma das bandas convidadas a actuar no palco principal. A banda de Lisboa já tinha participado no Teu Palco da primeira edição do festival, um palco secundário onde as bandas amadoras podem mostrar os seus trabalhos em pequenas actuações de 15 minutos, mas vai fazer agora a sua estreia no palco principal. Clara Raimundo, vocalista, afirma que a responsabilidade aumenta. «É uma grande responsabilidade, sobretudo porque não sabemos até que ponto o nosso estilo é próprio para um palco principal, porque não é um estilo de música de pôr as pessoas aos saltos, é antes um estilo mais calmo, mais de oração, portanto estou muito curiosa para ver como as pessoas irão reagir», afirma. O estilo colhe, segundo a própria, influências várias e assume-se como «completamente diferente daquilo que tem sido feito em Portugal no campo da música de inspiração cristã». «É um estilo mais clássico e mais ligado à música tradicional portuguesa. Tem algumas influências de tango, fado e música celta.» Para o Festival JOTA, o grupo prepara muitas surpresas. «Quem for ao Festival JOTA vai ter oportunidade de ouvir vários temas inéditos, a estreia absoluta de alguns temas do novo CD. Vamos também tocar alguns temas que são mais conhecidos, mas as surpresas vão existir», refere. O grupo, que costuma actuar apenas com duas pessoas, vai ser acompanhado por teclas, percussão e mais cordas.
Além da música, serão muitas as actividades que irão marcar os três dias de festival. «Vamos ter workshops, fóruns de debate, oração, actividades típicas como o folclore, o hipismo e a pesca, e actividades mais radicais, como é normal todos os anos», enumera o Pe. Meira, que pretende com este festival «despertar os jovens da diocese». «O principal objectivo é movimentar os jovens cristãos e fazê-los perceber que ser cristão não é nada fora do comum. Pode ser-se cristão gostando de música, participando em festivais, divertindo-se. Através do rock, daquilo que eles gostam, podem ser cristãos», defende o Pe. Meira. O Pe. Jorge concorda e adianta que «a música é um grande veículo de evangelização, e o festival é fruto da intuição» de que os jovens podem ser tocados por este tipo de iniciativas. «A mim preocupa-me apenas que Jesus Cristo chegue às pessoas que participarem no festival», defende o Pe. Jorge. Entre 23 e 25 de Julho, na praia do Tabuão, o festival estará de portas abertas. Já comprou o seu bilhete?
Ricardo Perna