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Revista Família Cristã
Janeiro 2010
Igreja
Nota Pastoral da CEP
«Cuidar da vida até à morte»
 
A nota pastoral começa por falar abertamente sobre a dificuldade que muitas pessoas têm em abordar a temática da morte, o que pode levar a uma confusão entre aquilo que é aceitável e o que não pode ser feito. «Uma observação atenta das intervenções que surgem nos meios de comunicação social mostra uma grande falta de rigor na terminologia usada; e é visível que, por vezes, se pretende validar opções inaceitáveis (morte directa de um paciente) aplicando o termo "eutanásia" a situações que não o são de facto, e que podem ser eticamente aceitáveis», pode ler-se. Apesar da temática não ser, segundo os bispos, de «carácter religioso ou confessional», mexe com os «valores autênticos de humanidade e sobre o modelo de sociedade em que queremos viver», e aí entram as «intuições que brotam da fé cristã, que definem a vida como um dom que suscita em nós gratidão e não nos dispensa da responsabilidade de cuidar dele».

Considerando todas estas questões, o ponto 4 da nota defende que «é eticamente inaceitável

qualquer forma de eutanásia, isto é, qualquer "acção ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte". Nem sequer o objectivo de eliminar o sofrimento ou livrar a pessoa de um estado penoso pode legitimar a eutanásia, tanto mais que a medicina e a sociedade dispõem de outros meios para socorrer os pacientes em fase terminal. Equivalente à eutanásia, do ponto de vista ético, é qualquer forma de ajuda ao suicídio, também designado suicídio assistido», pode ler-se na nota divulgada.

Os bispos definem a eutanásia como a «concretização de um desejo que o homem contemporâneo tem de se apoderar da morte, frequentemente apresentada como um gesto de humanidade ou de compaixão que pretende respeitar a dignidade com que cada ser humano quer viver. Porém, qualquer forma de eutanásia constitui uma renúncia a acompanhar a pessoa doente, traduz a falta de empenho de uma sociedade em procurar meios que permitam viver dignamente todas as fases da existência humana. É, por isso, uma violação, ainda que consentida, da dignidade fundamental que se deve reconhecer a cada ser humano.»

 

Ricardo Perna