A, B, C, D, E. Para utilizar da maneira correcta o abecedário das vitaminas é preciso, primeiro, uma boa dose de informação. A variedade de alimentos faz quase tudo, mas quando os suplementos vitamínicos são precisos, há que saber geri-los pois, como em tudo na vida, o excesso pode ser prejudicial.
Já vão longe os tempos em que as citações dos grandes teóricos eram verdades absolutas do visual e do comportamento social. Os corpos franzinos e flácidos, os homens e mulheres barrigudos foram perdendo o lugar para a avassaladora e contagiante onda de saúde, traduzida
Nada mais natural, portanto, que os dedicados e esbaforidos adeptos do culto do corpo realizem romarias semanais, ou até mesmo diárias, a estas prateleiras do bem-estar, em busca de munição para uma melhor performance nas suas actividades e de resultados mais rápidos e palpáveis na sua árdua tarefa de esculpir as suas próprias formas. No entanto, a todos estes esforçados e dedicados «escultores» os verdadeiros e fundamentados entendidos da saúde avisam: o consumo exagerado de vitaminas pode ser prejudicial à saúde.
Quem avisa, amigo é
A recomendação geral é de cautela no consumo destes remédios e suplementos. A fórmula mágica para uma existência realmente saudável, segundo Vanessa Anjos, dietista na Associação Portuguesa de Celíacos, está numa «alimentação balanceada, com muitos frutos, verduras, legumes, cereais, carnes, leite e derivados, já que as vitaminas provenientes dos alimentos são melhor absorvidas e utilizadas pelo organismo». Mas, se por algum motivo, for necessário recorrer aos suplementos vitamínicos, há que ter todo o cuidado para que o corpo não fique intoxicado devido à sua ingestão em excesso, a que, clinicamente, se apelida de hipervitaminose. «As hipervitaminoses têm origem numa ingestão acima do valor limite tolerado pelo organismo, sendo mais frequente que haja toxicidade para as vitaminas lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K), pois estas são acumuladas no organismo, não sendo o excesso metabolizado e expelido na urina. No entanto, as hipervitaminoses geralmente não têm consequências muito graves, sendo, no entanto, importante suspender a suplementação dessa vitamina ou reduzir o seu consumo sempre que possível», adverte a dietista.![]()
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Os sintomas das hipervitaminoses são diversos, variando de vitamina para vitamina e de acordo com o tipo de toxicidade, aguda ou crónica. Assim, uma pessoa que ingira em demasia suplementos vitamínicos pode ter «dores de cabeça, perda de apetite, náuseas e vómitos, prisão de ventre ou diarreia, unhas quebradiças, queda de cabelo, irritabilidade, entre outros sintomas, não sendo, portanto, muito específicos», explica Vanessa Anjos.
A hipervitaminose A, ou seja, a administração prolongada e em doses excessivas de vitamina A, é considerada a mais perigosa por apresentar efeitos em crianças e no desenvolvimento do feto em mulheres grávidas ou que tencionam engravidar. Vanessa Anjos alerta que uma overdose desta vitamina pode manifestar-se através da «coloração amarelada da pele, náuseas e vómitos, dores de cabeça, vertigens, irritabilidade, perda de peso, pele seca e sérias lesões no fígado». O fígado e os rins são, aliás, os órgãos que mais sofrem com a hipervitaminose, pois são eles que mais facilmente armazenam os excessos.
Ana Maria Dias