PESQUISAR
Revista Família Cristã
Dezembro 2006
Santo do Mês
Santa Luzia
A NOIVA FIEL
 

Apesar de ter uma boa vida e um futuro promissor, Luzia optou por se entregar à única pessoa que a fazia feliz. Com uma fidelidade heróica, escolheu Jesus Cristo e alcançou glória eterna na Terra e no Céu.

No século iii da nossa era, o Império Romano encontrava-se dividido em duas partes que dominavam toda a região do Mar Mediterrâneo. A cidade de Siracusa, na Sicília, tinha sido a colónia mais importante do Império Grego, até ser conquistada pelos romanos. Foi nesta cidade que nasceu Luzia, a primeira e única filha de uma família nobre da região. Com poucos anos de vida perdeu o pai, passando a viver apenas com a mãe, Eutíquia.

Por esta altura, o cristianismo já tinha chegado à Sicília. Apesar de não ser essa a religião oficial do império, várias pessoas professavam-na secretamente. Entre elas contavam-se Luzia e a sua mãe. A partir de certa altura na sua vida, Luzia decidiu consagrar-se em segredo a Deus e fez um voto de castidade.

Desconhecendo estes planos da filha, Eutíquia decidiu arranjar o casamento dela com um nobre siciliano pagão. A sua preocupação era arranjar-lhe um bom sustento, pois Luzia já não tinha pai e a mãe queria que ela tivesse sempre uma boa vida.

Este cuidado surgia também porque Eutíquia sofria há vários anos de um incómodo fluxo de sangue. Tendo ouvido falar de Santa Águeda, uma jovem que havia morrido pela fé alguns anos antes, Luzia quis ir um dia com a mãe rezar diante da sua sepultura, para pedir a sua cura. Assim fizeram e partiram para a Catânia, terra de onde era originária Santa Águeda. Rezaram fervorosamente e Deus, por intercessão de Santa Águeda, escutou-as. Eutíquia ficou curada.

Confrontada com o casamento que a mãe lhe tinha preparado, Luzia pediu que esta combinação fosse anulada. Melhor que o noivo escolhido por Eutíquia era Jesus Cristo e era com Ele que a jovem queria viver para sempre. Queria também distribuir as suas

riquezas pelos pobres. Como ainda estava profundamente tocada pelo milagre da sua cura, a mãe concordou e cancelou o casamento da filha.

Quem não gostou desta decisão foi o noivo de Luzia. Indignado com o desprezo dela, decidiu vingar-se. Por desconfiar que ela seria cristã, foi denunciá-la às autoridades romanas. Nesta altura era imperador Diocleciano, que tinha iniciado uma feroz perseguição ao cristianismo. Luzia foi então levada à presença do governador romano para ser interrogada. Este tentou que ela negasse a fé cristã e adorasse os deuses romanos. Mas a corajosa jovem manteve-se firme e fiel aos seus princípios. O amor que sentia por Jesus era demasiado forte para que ela O pudesse negar. Sempre serena, Luzia encarnava as palavras de Jesus que dizia: «Quando vos levarem para serdes entregues, não vos inquieteis com o que haveis de dizer; dizei o que vos for dado nessa hora, pois não sereis vós a falar, mas sim o Espírito Santo» (Mc 13,11).

Como sentença, o governador ordenou que a levassem para um bordel, para se prostituir. Impávida, ela respondeu-lhe: «O corpo não pode ser corrompido se a alma não aceita nem consente o mal.» Quando a foram buscar, Luzia manteve-se imóvel. Os guardas tentaram levá-la, mas ela não se mexia. Parecia estar presa ao chão, como uma rocha. Por mais força que tentassem fazer, não a conseguiam mover. Durante este tempo, Luzia ia louvando a Deus e incentivando os presentes a serem sempre fiéis a Jesus Cristo.

Cada vez mais irritados, os soldados decidiram regá-la com óleo e atear-lhe fogo. Mas as chamas não a queimavam. Passado um tempo, o incêndio apagou-se e Luzia continuava incólume.

Por fim, pegaram numa espada e decapitaram-na. A tradição diz que em determinado momento os soldados lhe arrancaram os olhos, mas ela conseguia ver na mesma sem eles. Por isso, é frequente vermos representações suas com os olhos na mão.

Luzia foi martirizada no dia 13 de Dezembro do ano 304. Por esta altura, o imperador Diocleciano caiu gravemente doente e pouco tempo depois, no ano 305 abdicou.

 

Mariana Vaz Serra