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Para que serve um diploma?

Segunda-Feira, 16 Julho 2012
Isabel Figueiras
Isabel Figueiras

«Não é necessário procurar soluções no exterior. Procurem soluções no interior. E escutem as pessoas que têm as soluções diante de vós. Elas estão em todo o mundo. Não oiçam o Banco Mundial, oiçam as pessoas no terreno. Elas têm todas as soluções do mundo.»

Costumo ver vídeos num portal chamado TED. Há uns meses tive o privilégio de assistir a um desses vídeos, onde um indiano chamado Bunker Roy dava uma conferência sobre o seu projeto. Simplesmente fascinante! Este indiano teve uma educação elitista, cara e snobe, segundo as suas próprias palavras. Mas, ao acabar o curso, resolver ir para uma aldeia e criar uma universidade para pobres.

Nessa mesma aldeia, pediram-lhe que não levasse ninguém com classificação académica, mas sim pessoas que têm uma habilidade para oferecer e prestar um serviço à comunidade. Todos os participantes teriam de ser inconformados, desgraçados ou desistentes e trabalharem com as mãos.

Para Roy, um profissional é alguém que tem uma combinação de competência, confiança e crença. Por isso tanto a parteira como o oleiro são profissionais com conhecimentos universais.

O conceito é experimentar e... se falhar, não faz mal. Experimenta-se de outra forma.

Nesta universidade as aprendizagens têm sempre um objetivo prático e comunitário.
Nesta universidade toda a energia é solar, com painéis feitos por um padre Hindu com a 4.ª classe mas que conhece mais de energia solar do que qualquer outra pessoa, segundo Bunker Roy.

Nesta universidade coletam água dos telhados, que estão todos ligados a um tanque de 400000 litros. Sem desperdício de água e com uma retenção que dá para quatro anos de seca.

Roy no fim da sua apresentação termina com a seguinte frase: «Não é necessário procurar soluções no exterior. Procurem soluções no interior. E escutem as pessoas que têm as soluções diante de vós. Elas estão em todo o mundo. Não oiçam o Banco Mundial, oiçam as pessoas no terreno. Elas têm todas as soluções do mundo.»

Esta é a única universidade em que não há certificado. É-se certificado pela comunidade que se serve. Não é necessário um papel para pendurar na parede.

Esta lição de vida, que já tinha visto há algum tempo e da qual tinha gostado bastante, resurgiu-me após a notícia do pedido de equivalência de Miguel Relvas à Universidade Lusófona, com base no seu Currículo Vitae. Não me alongo em críticas nem opiniões sobre esta sua ação. Mas convido-o e a todos os colecionadores de diplomas a verem ou reverem este vídeo. Podem vê-lo no youtube colocando o título «Bunker Roy – Universidade dos Pés-Descalços» ou ainda no www.ted.com e procurar o orador Bunker Roy.

Talvez assim não corramos o risco de ouvir comentários dos «bêbedos» a dizerem que devido à sua experiência diária com o álcool deveriam ter o diploma de enólogos entre outras piadas que surgiram à volta da notícia.

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