Nessa mesma aldeia, pediram-lhe que não levasse ninguém com classificação académica, mas sim pessoas que têm uma habilidade para oferecer e prestar um serviço à comunidade. Todos os participantes teriam de ser inconformados, desgraçados ou desistentes e trabalharem com as mãos.
Para Roy, um profissional é alguém que tem uma combinação de competência, confiança e crença. Por isso tanto a parteira como o oleiro são profissionais com conhecimentos universais.
O conceito é experimentar e... se falhar, não faz mal. Experimenta-se de outra forma.
Nesta universidade as aprendizagens têm sempre um objetivo prático e comunitário.
Nesta universidade toda a energia é solar, com painéis feitos por um padre Hindu com a 4.ª classe mas que conhece mais de energia solar do que qualquer outra pessoa, segundo Bunker Roy.
Nesta universidade coletam água dos telhados, que estão todos ligados a um tanque de 400000 litros. Sem desperdÃcio de água e com uma retenção que dá para quatro anos de seca.
Roy no fim da sua apresentação termina com a seguinte frase: «Não é necessário procurar soluções no exterior. Procurem soluções no interior. E escutem as pessoas que têm as soluções diante de vós. Elas estão em todo o mundo. Não oiçam o Banco Mundial, oiçam as pessoas no terreno. Elas têm todas as soluções do mundo.»
Esta é a única universidade em que não há certificado. É-se certificado pela comunidade que se serve. Não é necessário um papel para pendurar na parede.
Esta lição de vida, que já tinha visto há algum tempo e da qual tinha gostado bastante, resurgiu-me após a notÃcia do pedido de equivalência de Miguel Relvas à Universidade Lusófona, com base no seu CurrÃculo Vitae. Não me alongo em crÃticas nem opiniões sobre esta sua ação. Mas convido-o e a todos os colecionadores de diplomas a verem ou reverem este vÃdeo. Podem vê-lo no youtube colocando o tÃtulo «Bunker Roy – Universidade dos Pés-Descalços» ou ainda no www.ted.com e procurar o orador Bunker Roy.
Talvez assim não corramos o risco de ouvir comentários dos «bêbedos» a dizerem que devido à sua experiência diária com o álcool deveriam ter o diploma de enólogos entre outras piadas que surgiram à volta da notÃcia.


