Sexta-Feira, 22 de Agosto de 2014
 
   
Texto
     +++     Evangelizar a família      +++     Cem anos de luz para o mundo      +++     Retratos de vida conjugal      +++     Liturgia e santidade em debate em Fátima      +++     Muçulmanos, «inimigos de Cristo»      +++     Desemprego recua para 14,1%      +++     «O tempo dos mártires ainda não acabou»      +++     Cantinas escolares abertas no verão      +++     Iraque: Cristãos precisam de proteção      +++     Maus-tratos contra animais já são crime      +++    

Publicidade sem limites

Segunda-Feira, 09 Julho 2012
Rita Bruno
Rita Bruno
Jornalista

Já vi muita publicidade agressiva, mas este anúncio só é comparável à investida de um animal selvagem de grande porte quando se sente ameaçado; um animal com garras e cujo resultado da investida é o estraçalhar de quem o ameaça.

O Instituto Civil de Autodisciplina da Comunicação Comercial considerou no final da semana passada que o anúncio em que aparece uma criancinha num hospital a perguntar aos pais se guardaram o seu sangue do cordão umbilical viola as regras da publicidade. É sobre isto que este organismo se pronuncia, ainda que sem efeitos de "lei", é um parecer.

Já eu acrescentaria que viola as regras do que é ser humano.

Já vi muita publicidade agressiva, mas este anúncio só é comparável à investida de um animal selvagem de grande porte quando se sente ameaçado; um animal com garras e cujo resultado da investida é o estraçalhar de quem o ameaça. A palavra foi escolhida a dedo; "estraçalhar", pois há de ter sido assim que ficou o coração de – arrisco-me a dizer – quase todos os pais que passaram pelo terror de ver este anúncio, tanto os pais que não guardaram as ditas células como os que o fizeram.

Inqualificável é o que me ocorre para descrever este anúncio.

Dizem os senhores que o objetivo era apenas sensibilizar para a importância de guardar as células do cordão umbilical. Missão cumpridíssima... quem é que quer ouvir uma pergunta dessas da boca de um filho? A importância fica mais que percebida... «é só um bocadinho que quem não guardou as células vai ali desesperar e já volta.»

Não consigo perceber como se idealiza uma campanha destas. Só consigo pensar num cliché... é uma campanha sem coração.

Mas será possível que não se tenha pensado no impacto que afirmações daquelas têm em pais que não puderam guardar as células dos seus bebés? Sim, porque preservar células custa muito dinheiro que muitos grandes pais não têm. Será que não se pensou que todos os dias há pais que recebem notícias relativas a doenças dos seus filhos e que o resultado de um anúncio daqueles é devastador? Será que não se pensou que normalmente os pais amam os seus filhos mais que tudo e que uma auto-culpabilização por não ter guardado células pode ser mais do que um pai consegue suportar?

Isto tudo já para não falar na pouca informação deste anúncio e que não diz tudo sobre o processo de criopreservação das células. O facto das afirmações do anúncio até poderem ser verdade, elas não são a verdade TODA e, por vezes, a verdade só é verdade quando está lá tudo. E NÃO está! Aquilo não é a verdade toda.

Há inúmeros exemplos de pais que, dispondo da informação TODA, optaram por não fazer a criopreservação. Para esses, este anúncio será apenas MUITO revoltante, mas para os que não dispõem da informação toda fica-lhes o peso da responsabilidade de terem que responder «não!» a uma criancinha como a do anúncio, mas que ainda por cima poderá ser a sua.

Saibam esses pais que há muita gente que responderá "não" por opção. Saibam esses pais que este não é o único método, que ainda há questões por responder sobre células e afins. Saibam esses pais que independentemente desse método poder ter aspetos positivos, ele não é A salvação. Saibam esses pais que não são maus pais por não terem guardado as células dos seus filhos e que não têm de carregar o peso de uma culpa.

O anúncio foi retirado do ar pela própria empresa algum tempo depois da sua emissão, após uma chuva de críticas das mais variadas frentes. Mas a quantos pais terá feito pesar é uma pergunta que não deixa de me doer.

Capa





Edição de Jul-Ago/2014

bt_2

Calendário

Agosto 2014 Setembro 2014
Se Te Qu Qu Se Do
1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31

Newsletter

Subscreva a nossa newsletter

Administração