Quinta-Feira, 31 de Julho de 2014
 
   
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Férias: tempo para encontros

Segunda-Feira, 02 Julho 2012
Pe. Agostinho França
Pe. Agostinho França
Diretor "Família Cristã"

Nas férias, o cristão leva o Evangelho na bagagem: o vademecum do homem viator e companhia reconfortante em momentos de sossego na montanha, na serenidade de uma praia, no deslumbramento de um pôr-do-sol ou na varanda do hotel.

O progresso tecnológico ofereceu ao homem mais tempo livre, acentuando-lhe a faceta de viator. O próprio emprego permitiu a muitos trabalhadores, sobretudo aos empregados em empresas internacionais, deslocar-se quer por razões comerciais quer para participar em congressos e ações de formação. Outros viajam com objetivos que se prendem com o desporto e o espetáculo. As férias pagas criaram novos hábitos de descanso, com a possibilidade de rumar para lugares diferenciados do ambiente da vida quotidiana (casa e trabalho), oferecendo a muitos ocasião para conhecer povos e estabelecer relações com outras civilizações e culturas.

O fenómeno turístico e de aproveitamento do tempo livre engloba muitas centenas de milhões de passageiros que se deslocam ao nível do território nacional e internacional. Já em 2001, a Organização Mundial de Turismo previa, para 2020, cerca de 1600 milhões de chegadas internacionais por motivos turísticos. A indústria do turismo converteu-se numa das primeiras forças económicas em todo o mundo.

O período de férias é ocasião propícia para reforçar a fidelidade à prática religiosa e melhorar as atitudes no seio da família. Na verdade, o gozo do tempo livre pode acontecer sem prejuízo do descanso festivo (prática religiosa e eucaristia dominical). Sempre e em todo o lugar, o crente pode reservar espaços para louvar e agradecer os dons de saúde e bem-estar, paz e harmonia concedidos à família. A este propósito, Bento XVI escreve que «longe de Deus, o homem vive inquieto e está mal. A alienação psicológica e social e as inúmeras neuroses que caracterizam as sociedades opulentas devem-se também a causas de origem espiritual.» (Caritas in Veritate, n.º 76)

As férias são outrossim tempo favorável para estar (ou aprender a estar) generosamente ao serviço uns dos outros, especialmente no seio da família. Por outro lado, exigem-nos atenções para não prejudicar o meio ambiente e atitudes para corrigir erros que outros possam ter cometido. Nas férias pode-se aprender a tolerância e o respeito pelos outros, a construir a paz, apreciando a diferença de usos e costumes, enriquecendo o próprio património cultural.

O tempo de lazer deve proporcionar necessariamente momentos propícios para intensificar o diálogo entre esposos, pais e filhos; para intercambiar mais informação e reforçar a confiança entre todos; para incrementar momentos de festa e convívio. Os pais podem tornar-se mais companheiros dos filhos e aproveitar o tempo de descontração para alertá-los para os perigos que os espreitam (incluindo drogas e algumas discotecas) ao virar da esquina.

Nas férias, o cristão leva o Evangelho na bagagem: o vademecum do homem viator e companhia reconfortante em momentos de sossego na montanha, na serenidade de uma praia, no deslumbramento de um pôr-do-sol ou na varanda do hotel. Os encontros com a Palavra são fonte de paz e alegria. G. K. Chesterton escreve que «o homem é mais semelhante ao homem, quando a alegria é a coisa principal que se encontra nele, e a tristeza é uma coisa acidental». Considera o escritor que «a melancolia devia ser um inocente entreato, uma terna e fugitiva moldura do espírito, ao passo que a alegria deve ser a constante pulsação da sua alma».

A alegria é o gigantesco segredo do cristão, afirma o autor. A Palavra de Deus é fonte dessa alegria e paz. É preciso atrever-se a marcar encontro com ela. Não te esqueças de levar o Evangelho na bagagem. Boas férias.

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