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Os Santos Populares

Segunda-Feira, 18 Junho 2012
Pe. José Carlos Nunes
Pe. José Carlos Nunes
Diretor-geral Paulus Editora

Santo é todo aquele que anseia por Deus, responde ao seu chamamento e entusiasma os seus irmãos a seguirem o mesmo caminho de santidade.

O mês de Junho é por tradição o mês dos Santos Populares. Em seu nome participamos nas Eucaristias e nas procissões, comemos, dançamos, divertimo-nos. Deles esperamos que intercedam por nós, que nos ajudem, que nos protejam, que nos tragam prosperidade. Mas o que sabemos realmente das suas vidas? Tentamos imitá-los no seu percurso de fé? Provavelmente a melhor maneira de festejar os Santos Populares é perceber o que é a santidade.

Santo é todo aquele que anseia por Deus, responde ao seu chamamento e entusiasma os seus irmãos a seguirem o mesmo caminho de santidade.

A santidade cristã é um dom de Deus à Sua Igreja e consiste na união com Cristo, Verbo encarnado e nosso redentor, único mediador entre Deus e os homens e fonte de graça e santificação.

A Igreja é santa porque Cristo amou-nos como sua esposa e deu a vida por ela, para que ela se santificasse. Por isso a santidade da Igreja deriva da santidade e do amor de Cristo.

Todos na Igreja são chamados à santidade, como diz o Apóstolo Paulo: «A vontade de Deus é que vos santifiqueis» (1Ts 4,3). Mas se todos somos chamados à santidade, não todos são chamados à mesma intensidade e profundidade de união com Cristo, pois a resposta ao amor de Deus deve ser dada segundo as capacidades e possibilidades de cada um. Por esse motivo temos santos mártires, pastores e doutores da Igreja, virgens, educadores, etc.

Assim sendo, santo é todo aquele que no âmbito das suas limitadas mas irrepetíveis características, qualidades e circunstâncias pessoais, vocação e graça dada por Deus, «segundo a medida da doação de Cristo» (Ef 4,7), se abre e corresponde à graça recebida e conformando-se a Cristo vive em plenitude o dom da vida que lhe foi dado, permitindo que Cristo viva em si mesmo. Quem vive esta santidade, participa e partilha a vida e o amor de Cristo, difundindo à sua volta o calor do amor de Cristo e a sua bondade, em situações concretas e no ambiente em que vive.

Diz João Paulo II: «Nós que temos a graça de acreditar em Cristo, revelador do Pai e salvador do mundo, temos o dever de mostrar a profundidade a que pode levar a relação com Ele. A grande tradição mística da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, pode dizer muito a esse propósito. Essa mostra como a oração possa progredir, como verdadeiro diálogo de amor, até tornar a pessoa humana totalmente possuída pelo amor divino, vibrando com o sopro do Espírito, filialmente abandonado ao coração do Pai. (...) Trata-se de um caminho inteiramente sustentado pela graça, que pede um forte empenho espiritual e chega a conhecer dolorosas purificações ("a noite escura") mas aproxima-se através de diversas formas possíveis, à imensa alegria vivida pelos místicos como união matrimonial» (NMI, 33).

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