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Bater no fundo

Segunda-Feira, 11 Junho 2012
João César das Neves
João César das Neves
Economista

Ainda falta muito para Portugal ter os seus problemas resolvidos ou, mais ainda, para começar a crescer. É preciso abandonar desperdícios, que se tornaram institucionais e perverteram largas camadas da população.

Será que já batemos no fundo? Já passou o pior? Esta é a pergunta que toda a gente se coloca hoje em Portugal. De facto as questões são um bocadinho mais complicadas do que parecem.

Um dos principais problemas desta crise é que Portugal já não bate no fundo. Somos um país rico, que por isso pode viver em crise muito mais tempo que antes. Há 30 anos, quanto tivemos a última emergência financeira deste tipo, o nosso nível de vida médio era cerca de metade daquele que hoje temos, mesmo com crise. Por isso a nossa reação era então muito diferente. Na altura batia-se mesmo no fundo, o que exigia resposta rápida, porque não se conseguia sobreviver de outra forma. Assim a crise era dura, criava efeitos devastadores, mas era curta.

Hoje a situação é muito diferente. Como o país é muito mais rico, as circunstâncias mudaram sensivelmente. Por um lado as expectativas e exigências são muito mais elevadas, o que leva pessoas a sofrer em circunstâncias que antes seriam consideradas razoáveis. Por outro muita gente se recusa a aceitar os sacrifícios indispensáveis, o que prolonga a crise.

Temos um enorme desemprego mas continuamos a precisar de centenas de milhares de imigrantes para fazer os trabalhos que os portugueses não querem. Há 30 anos não se podia estar desempregado muito tempo porque isso significava fome e miséria, o que levava a reações mais rápidas. Por isso o ajustamento está a demorar tanto tempo.

Mas será que já passou o pior? Ninguém pode responder a essa pergunta com um mínimo de segurança. Não só a situação interna é muito complexa mas a envolvente internacional, em particular europeia, está tão nebulosa que torna difícil fazer previsões seguras. De qualquer maneira as análises possíveis, gravemente limitadas, dizem que o pior da queda se registou no fim de 2011 e início de 2012 e que, se tudo correr normalmente, a segunda metade deste ano verá uma desaceleração da recessão, podendo começar uma estagnação, seguida de um crescimento, em 2013. Crescimento que, de qualquer maneira, nunca será muito intenso nos próximos anos. Isto significa que a partir de agora, sem ser brilhante, a situação será menos má do que a que vivemos nos últimos meses. Estas afirmações, como foi dito, devem ser tomadas com muitas cautelas.
Se isto for verdade então podemos dizer que, em certa medida, o pior já passou, e até que o sofrimento acabou por ser menos doloroso que em outros países, como a Grécia, Irlanda, e até Espanha e Itália. É verdade que os custos e sacrifícios estão a ser muitos, e muita gente vive situações dramáticas. Mas, dada a enorme dimensão dos graves erros e distorções cometidos em duas décadas de gastos exagerados a crédito, acabamos por não sofrer tanto quanto seria de esperar.

Isto não quer dizer que o sofrimento acabe em breve. É muito diferente afirmar que o pior já acabou, o que aliás ainda não é certo, e dizer que os tempos próximos serão sofríveis. Ainda falta muito para Portugal ter os seus problemas resolvidos ou, mais ainda, para começar a crescer. É preciso abandonar desperdícios, que se tornaram institucionais e perverteram largas camadas da população. Adquirimos hábitos de rico e temos de nos esforçar agora para mudar de vida. Isso ainda vai custar muito a quase uma geração inteira que se acostumou a viver acima das suas posses.

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