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O Encontro foi um sucesso. E agora?

Segunda-Feira, 04 Junho 2012
Ricardo Perna
Ricardo Perna
Jornalista

Se a juventude é um assunto comummente aceite por todos, pelos vistos a necessidade de defender a família e de pensar sobre a melhor forma de desenvolver esta temática tão importante para o futuro da nossa sociedade não é um assunto merecedor do mediatismo da nossa comunicação social…

Terminou  o VII Encontro Mundial das Famílias em Milão. Toda a organização considerou o evento um sucesso e os dados são impossíveis de ignorar e contrariar. Estiveram presentes no Congresso Teológico-Pastoral delegações de 153 países; Mais de 6 mil pessoas acompanharam os trabalhos do Congresso ao vivo, enchendo por completo os espaços destinados às conferências; estiveram presentes cerca de 350 mil pessoas no aeroporto de Bresso para a Festa dos Testemunhos no sábado à noite e um milhão no domingo, quando se celebrou a missa com o Papa. Contas feitas pelo Pe. Lombardi, porta-voz do Vaticano, estimam que quase dois milhões de pessoas viram o Papa durante os três dias em que ele esteve em Milão. Um sucesso, aumentado pelo «carinho com que todos receberam o Papa, que muito o sensibilizou», contou o Pe. Lombardi aos jornalistas na conferência de imprensa depois da missa no aeroporto de Bresso.

Em termos organizativos, é curioso como as autoridades civis começam sempre as suas avaliações afirmando que não houve problemas a registar. Já em Madrid aconteceu o mesmo na última Jornada Mundial da Juventude. Parecem sempre surpresos pelo facto de ter tanta gente junta sem quaisquer incidentes ou perturbações da ordem e da paz pública, mas os católicos continuam a mostrar essa predisposição, tão importante para quem, de fora, olha com desconfiança ou indiferença para os crentes, que cada vez são em menor número também aqui em Itália.

Em termos do Congresso propriamente dito, a estrutura escolhida provou ser vencedora, conforme o foram confirmando os testemunhos recolhidos pela FAMÍLIACRISTÃ, nomeadamente das delegações portuguesas. Da parte da manhã, os congressistas dirigiam-se todos à Fieramilanocity, uma espécie de FIL italiana, onde ouviam palestras de oradores conceituados, como os cardeais Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o Cardeal Tettamanzi bispo emérito da arquidiocese de Milão, Sean O'Malley, arcebispo de Boston, e Ennio Antonnelli, presidente do Conselho Pontifício para a Família, que abriu e fechou o Congresso, entre outros oradores da sociedade civil. Da parte da tarde, foram dinamizados nos três dias do Congresso 25 ateliês e mesas redondas por toda a cidade de Milão e arredores que visavam tratar de forma mais prática todas as temáticas relacionadas com o tema «A Família: o Trabalho e a Festa».

Nos três dias em que permaneceu em solo ambrosiano, Bento XVI deixou vários recados às famílias, mas também aos crismandos, a quem pediu que «aspirem aos altos ideais, sede santos», aos religiosos, de quem espera «plena obediência à vontade de Deus», fazendo «crescer a comunhão eclesial», e às próprias dioceses, de quem espera que estejam a acolher «aqueles que passam pela tragédia e pela dor de uma separação e do fim de um casamento». Numa altura em que muito se fala da necessidade da Igreja dar resposta a este grupo de pessoas que aumenta cada vez mais, foi significativa interpelação que o Papa fez publicamente às dioceses, e por conseguinte aos bispos do mundo inteiro. Para Bento XVI, «o amor é a única força transformadora capaz de mudar o mundo».

Os verdadeiros frutos deste Encontro só existirão se estas delegações aqui presentes puderem transmitir estas palavras e estes ensinamentos aqui recolhidos às famílias dos seus países de origem. Esse é o verdadeiro, e porventura o mais difícil de avaliar para medir a escala de sucesso desta iniciativa que terminou ontem.

Duas notas finais:
- A participação portuguesa foi pouca. Cerca de 120 pessoas, entre leigos e sacerdotes, e um bispo é pouco para quem tanto tem pedido pela família e pela necessidade de dinamizar a família na sociedade portuguesa. Sendo o evento na Europa, e havendo até a possibilidade, utilizada por algumas dos grupos portugueses, de as famílias serem albergadas por famílias italianas, que disponibilizaram a sua casa e o seu espaço, seria de esperar uma resposta mais entusiasmada da parte das famílias portuguesas, e também do próprio clero e episcopado;

- Apesar de ter estado um milhão de pessoas com o Papa, quase o mesmo número que em Madrid, na última Jornada Mundial da Juventude, e da qualidade das intervenções no Congresso, tanto da parte de pessoas da igreja como da parte de leigos, o assunto não mereceu qualquer destaque na comunicação social portuguesa, ao contrário do que sucedeu em Madrid. Presentes em Milão estiveram apenas a FAMÍLIA CRISTÃ, que criou um sítio Web especial para o evento e procurou seguir as incidências e dar a conhecer aos seus leitores e seguidores nas redes sociais o que de mais importante se passou aqui nestes dias, e a Rádio Renascença, sendo que todos os outros (poucos) órgãos trabalharam a partir das suas redações. Se a juventude é um assunto comummente aceite por todos, pelos vistos a necessidade de defender a família e de pensar sobre a melhor forma de desenvolver esta temática tão importante para o futuro da nossa sociedade não é um assunto merecedor do mediatismo da nossa comunicação social...

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