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Redes de vizinhança

Segunda-Feira, 21 Maio 2012
Sílvia Júlio
Sílvia Júlio
Jornalista

A solidariedade entre vizinhos ajuda-nos a ser melhores pessoas e a sentirmo-nos mais seguros no lugar onde vivemos. Porque sabemos que há sempre alguém com quem podemos contar em caso de necessidade – e que também podemos retribuir, sempre que o outro lado precise de nós. O ser humano só pode existir em relação.

Quem habita em grandes cidades, dificilmente conhece os vizinhos. Aliás, muitos até fazem gala em dizer: «Eu não conheço os meus vizinhos!» É pena este tipo de atitude de quem não quer conhecer e não se dá a conhecer às pessoas que habitam o mesmo andar, o mesmo prédio, o mesmo bairro.

Conhecer e dar-se a conhecer não significa contar a nossa vida ao vizinho do lado – ou "mexericar" na vida alheia. Conhecer e dar-se a conhecer implica, em primeiro lugar, que as pessoas se cumprimentem quando se cruzam no elevador, nos corredores ou junto das caixas de correio. Uma palavra hoje, um sorriso mais aberto amanhã, dois dedos de conversa noutro dia podem ser o início de uma relação saudável entre vizinhos.

Lembro-me de a minha mãe confiar a chave de casa a uma vizinha para lhe regar as plantas durante as férias. Lembro-me ainda de a vizinha deixar lá em casa os periquitos quando precisava de se ausentar alguns dias. A solidariedade entre vizinhos ajuda-nos a ser melhores pessoas e a sentirmo-nos mais seguros no lugar onde vivemos. Porque sabemos que há sempre alguém com quem podemos contar em caso de necessidade – e que também podemos retribuir, sempre que o outro lado precise de nós. O ser humano só pode existir em relação.

Há pouco tempo, o meu vizinho, que sofre de Alzheimer, andava a passear sozinho e já estava um tanto desorientado. Uma vizinha, que sabia da doença do senhor, avistou-o ao longe e tentou de imediato entrar em contacto com outra pessoa que conhecia a esposa dele. Graças àquela troca de chamadas telefónicas entre vizinhos, o senhor foi encontrado e regressou a casa em segurança. A história terminou bem porque naquele bairro as pessoas conhecem-se e falam umas com as outras. Mas quantas histórias terminam mal, quantos idosos com Alzheimer e outras doenças se perdem entre as ruas das cidades porque ninguém os conhece?

Também os pais das crianças poderiam ficar mais descansados se houvesse "mais olhos na rua". Hoje não sentimos segurança suficiente para deixarmos brincar os nossos filhos sozinhos na rua com outros miúdos. Antigamente havia sempre algum vizinho que avisava os pais, caso alguma coisa corresse menos bem – nem que fosse uma pequena zaragata infantil.

É preciso que as pessoas se conheçam, se relacionem, criem laços de afetividade para todos nos sentirmos mais seguros.

Um dia destes fiquei agradavelmente surpreendida quando a minha vizinha me bateu à porta e pediu um limão para os panados que ia fazer para o jantar. Noutra altura, fui eu que lhe pedi para ficar um tempinho com o meu filho, pois precisava de sair e naquele dia não tinha ninguém com quem o deixar. Saí descansada, pois sabia que o meu filho ficava a brincar com os filhos da vizinha e com a vigilância de um adulto de confiança.

Aqui há tempos outra vizinha trouxe-me umas maravilhosas cerejas de Trás-os-Montes para saborearmos lá em casa. O que vale é que para combater as calorias dos meus excessos, tenho uma outra vizinha que me faz companhia nas caminhadas pela cidade para ficar em forma. Estes momentos deliciosos entre vizinhos trazem muito mais sabor e alegria à vida.

Dizia-me um sociólogo, em entrevista, ainda há relativamente pouco tempo, que é preciso «regenerar os padrões de vizinhança» e é «necessário que as pessoas se conheçam melhor para injetarmos mais solidariedade nas relações». Quando as pessoas têm confiança nos vizinhos, começam também a ter mais confiança nas instituições.

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