As notÃcias sobre os implantes mamários PIP têm proliferado nos últimos dias. A PIP é uma empresa de Jean-Claude responsável pela sua comercialização. No ano de 2010, este tipo de implante foi proibido em Portugal. A Direção-Geral de Saúde aconselhou as pessoas que fizeram a cirurgia com esta marca de implantes a consultarem o médico para uma eventual remoção dos mesmos.
A empresa de Jean-Claude foi fundada em 1991. A área de negócio anterior era do ramo da charcutaria. Este fator por si só já me parece estranho, mas preocupante é o facto de o silicone que é usado ser industrial. Até podÃamos pensar, remotamente, que se tratava de desconhecimento por parte do senhor, facto que vai por água abaixo quando Jean-Claude afirma que sabia que o gel não estava homologado. A justificação para o uso deste tipo de silicone prende-se pelo facto de este ser mais em conta.
Existe, no entanto, um elo de ligação numa grande parte das escolhas que têm sido feitas nos últimos tempos. Esse mesmo: o lucro. Melhor, o lucro fácil independentemente de qualquer outro valor humano. Já nem falo da pressão social que leva as mulheres a correrem tantos riscos em nome da estética.
De facto há muito que ouvimos dizer que os valores estão invertidos, que o poder e os bens materiais têm ganho muito espaço e peso na vida de todos nós. Até consigo perceber a ânsia de ter coisas bonitas, ainda que supérfluas, a necessidade que todos temos de ser aceites pelos outros. O que me incomoda nisto tudo é a consciência de usarmos as fragilidades ou as necessidades dos outros em nome do lucro. Pior, essa nossa necessidade se sobrepor à vida humana.
O senhor em questão, segundo declarações do seu advogado «não está bem, está cansado e aguarda a visita do seu médico». Lamento e não me causa nenhum tipo de alegria saber que o senhor não se encontre bem de saúde. Mas o que é mesmo lamentável é as vidas que se perderam, as pessoas que ficaram sem os seus amigos e familiares, as que estão doentes e as que estão a viver horas difÃceis por medo de virem a ter algum problema de saúde e que terão de se submeter novamente a uma cirurgia para remoção dos implantes.
Como referi, não é de todo satisfatório ver uma pessoa pagar pelo que fez, a isso chama-se justiça. Satisfatório será se a consciência realmente servir, daqui para a frente, para que casos destes não voltem a acontecer e que a prioridade seja a vida e dignidade humanas.

